A estatal Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) transportou, desde terça-feira, mais de 1.700 passageiros entre o distrito de Magude e a capital Maputo, numa resposta imediata ao corte da principal via rodoviária do país, a Estrada Nacional 1 (N1), afetada pelas fortes chuvas e cheias.

Alternativa ferroviária para minimizar impactos das cheias
O diretor de operações ferroviárias dos CFM no Sul, Arnaldo Manjate, explicou, de acordo com a agência Lusa, que apenas no comboio que saiu de Magude na terça-feira seguiram 1.050 pessoas com destino a Maputo. No sentido contrário, o número de passageiros aumentou de 350 para 659 até à chegada à capital.
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Face à situação de emergência, a estatal iniciou na terça-feira o transporte de pessoas e bens entre Maputo e Magude, na margem norte da província de Maputo. Para esta quinta-feira, está agendado um segundo comboio com capacidade para 1.500 passageiros, com partida às 08:00 (hora local) da estação central de Maputo e previsão de chegada às 13:00.
Além disso, está previsto um comboio de carga com capacidade de 1.500 vagões, com partida na sexta-feira às 10:00 locais. O responsável dos CFM-Sul adiantou que já estão disponíveis 12 camiões com diversos produtos para transporte, com a expectativa de reforços.
“Estes comboios são mesmo para responder à situação de emergência, para atender às necessidades. Essa é uma alternativa, tendo em conta que a N1 está cortada pelas cheias e visa reduzir os seus impactos negativos”, afirmou Manjate.
Retoma parcial do transporte e cenário de destruição das infraestruturas
Os CFM retomaram na segunda-feira o transporte de passageiros no sul do país, 12 dias depois da interrupção provocada pelas cheias. A empresa estatal anunciou a retoma de serviços na linha de Goba, bem como nas carreiras Matola-Gare, Manhiça e Marracuene, nas linhas de Ressano Garcia e Limpopo, respetivamente.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, garantiu que a circulação na N1 será restabelecida no máximo em duas semanas. No entanto, o país enfrenta uma grave situação de destruição de infraestruturas, com um custo avaliado em 644 milhões de dólares (cerca de 537,6 milhões de euros) e um plano de reconstrução em curso.
Impacto humano e resposta internacional
Segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o número de mortos nas cheias subiu para 14, com quase 692 mil pessoas afetadas. Desde 07 de janeiro, quase 155 mil casas foram inundadas, 3.447 ficaram parcialmente danificadas e 771 totalmente destruídas. Foram também registados 45 feridos e quatro desaparecidos, enquanto famílias continuam à espera de resgate, sobretudo no sul do país.
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Desde o início da época das chuvas, em outubro, o INGD contabiliza 137 mortos, 148 feridos e 812.335 pessoas afetadas. Atualmente, estão ativos 100 abrigos, acolhendo 94.657 pessoas, e foram afetadas 229 unidades sanitárias, 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega, Japão e países vizinhos da África Austral já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência para Moçambique.

