Um menino de nove anos tornou-se o primeiro paciente no Reino Unido a ser submetido a uma cirurgia inovadora de alongamento da perna. Alfie Phillips, natural de Northampton, nasceu com hemimelia fibular, uma condição rara que afeta menos de um em cada 40 mil nascimentos anuais no país.

A anomalia impediu o desenvolvimento adequado da perna direita, que ficou cerca de quatro centímetros mais curta do que a esquerda. Segundo os especialistas, a diferença poderia atingir seis centímetros até aos 16 anos, caso não fosse intervencionada.
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Alfie contou à agência Press Association (PA) que, em contexto escolar, era frequentemente confrontado com comentários sobre a forma como corria e a dificuldade em saltar à corda. “Diziam que eu corria de forma diferente e não conseguia saltar. A partir dos cinco anos começou a tornar-se um pouco aborrecido”, relatou. Acrescentou ainda que muitas conversas acabavam inevitavelmente por girar em torno da sua condição.
Apesar disso, o jovem explicou que, quando era mais novo, não se apercebia de qualquer diferença significativa, uma vez que sempre viveu com a condição.
Técnica inovadora evita uso de estrutura externa e acelera recuperação
A intervenção foi realizada no Alder Hey Children’s Hospital, em Liverpool, e iniciou-se em março do ano passado. O procedimento consistiu na colocação de um prego de alongamento na superfície do osso da coxa. O dispositivo foi progressivamente ajustado com recurso a um íman especial, utilizado três vezes por dia durante um mês, permitindo que o organismo produzisse novo tecido ósseo para preencher o espaço criado.
Até agora, técnicas semelhantes, com dispositivos colocados no interior do osso, não eram consideradas seguras para crianças mais novas devido ao risco de lesões. Antes desta alternativa inovadora, a única opção disponível para Alfie seria a aplicação de uma estrutura externa fixada ao osso a partir do exterior do membro.
Quase um ano após o início do tratamento, Alfie afirma sentir-se bem e satisfeito com os resultados. “Agora consigo ser mais alto do que os meus amigos. Gosto muito de jogar basquetebol”, revelou.

A mãe, Laura Ducker, parteira no Serviço Nacional de Saúde (NHS), explicou que o diagnóstico foi feito nos primeiros seis meses de vida. O pai de Alfie alertou inicialmente para a diferença ao notar que o filho tinha apenas três dedos num dos pés. Embora o desenvolvimento inicial tenha decorrido dentro da normalidade, com o crescimento a discrepância tornou-se mais evidente e potencialmente problemática para as ancas e articulações.
Após tomar conhecimento do trabalho do cirurgião ortopédico Nick Peterson através de um grupo de apoio no Facebook, a família procurou aconselhamento especializado no hospital de Liverpool.
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Segundo o médico, a recuperação de Alfie surpreendeu a equipa clínica. Ao fim de sete dias, a avaliação da dor registava zero numa escala de 0 a 10, uma situação considerada extremamente rara. Após os primeiros dias, o jovem necessitou apenas de paracetamol ocasional, demonstrando uma recuperação rápida e considerada “notável” pelos profissionais de saúde envolvidos.
O caso representa um avanço significativo na cirurgia ortopédica pediátrica no Reino Unido, abrindo novas perspetivas de tratamento para crianças com discrepâncias no comprimento dos membros inferiores.

