Um médico sénior indiano, acusado de agredir fisicamente um paciente num hospital público, negou veementemente as acusações e afirmou ter sido ele próprio alvo de insultos, ameaças e agressão por parte do doente. O caso, que ocorreu no Indira Gandhi Medical College (IGMC), em Shimla, no norte da Índia, gerou grande repercussão após a divulgação de um vídeo que mostra o alegado confronto.

O médico em causa, Dr. Raghav Narula, especialista em Medicina Pulmonar com oito anos de serviço na unidade, terá, segundo a versão do paciente, agredido fisicamente Arjun Panwar, deitado numa cama hospitalar, após este lhe pedir que fosse tratado com respeito. O vídeo, amplamente partilhado nas redes sociais e em vários meios de comunicação locais, mostra o médico a atingir repetidamente o doente.
O incidente suscitou uma onda de indignação pública, levando dezenas de pessoas a concentrarem-se no hospital para exigir medidas imediatas contra o clínico. Em resposta, a administração hospitalar constituiu uma comissão de inquérito para apurar os factos e remeteu o caso às autoridades policiais.
Médico defende-se e denuncia agressão física e verbal
Em conferência de imprensa, o Dr. Narula apresentou a sua versão dos acontecimentos, afirmando que não houve qualquer comportamento abusivo da sua parte e que a situação se descontrolou após um mal-entendido. O médico explicou que, como parte do procedimento clínico, se dirigiu ao paciente para analisar o seu historial e exames, incluindo uma tomografia computorizada.
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Durante essa interacção, terá usado o pronome informal “tu” — algo habitual na linguagem coloquial, mas que o paciente considerou desrespeitoso. De acordo com o médico, Arjun Panwar reagiu de forma exaltada, começou a gritar, acusou-o de falta de educação e insultou a sua família, questionando se ele falava com o pai “daquela maneira”.
“Fiquei chocado com o nível de agressividade. Em nenhum momento fui rude. Tentei acalmá-lo e explicar que não houve intenção de ofensa. Mas ele começou a gritar, a ofender e, posteriormente, tentou agredir-me”, afirmou Dr. Narula. Segundo o médico, o paciente terá tentado bater-lhe com o suporte de soro e desferiu vários pontapés e murros, resultando numa fractura na mão e dores nas costas.
Ainda segundo o clínico, o tumulto atraiu entre 200 a 250 pessoas à enfermaria, que invadiram o espaço, gritaram, danificaram equipamentos e criaram um ambiente de caos. “Durante horas estive fechado numa sala, à espera de assistência médica. Só depois de oito horas é que fui atendido. Pergunto: é este o tratamento que um médico deve receber num hospital?”, questionou, visivelmente emocionado.
Paciente mantém acusações e diz que foi provocado
Por outro lado, Arjun Panwar mantém as suas acusações contra o médico. Em declarações aos meios de comunicação locais, o paciente afirmou que foi tratado de forma “injusta e humilhante” durante um momento de fragilidade, pouco depois de ter sido submetido a uma broncoscopia e enquanto enfrentava dificuldades respiratórias.
“Apenas lhe pedi que falasse comigo com respeito. Em vez disso, tornou-se agressivo, discutiu comigo e começou a bater-me. Quando lhe perguntei se falava assim com a própria família, ele respondeu com violência”, disse Panwar. Segundo a sua versão, foi esta resposta que desencadeou a agressão física captada em vídeo.
O caso gerou grande debate em plataformas digitais e na sociedade indiana, levantando questões sobre a conduta de profissionais de saúde, mas também sobre a crescente pressão, tensão emocional e insegurança em que muitos médicos trabalham, especialmente em hospitais públicos sobrecarregados.
Hospital abre inquérito e polícia acompanha o caso
Na sequência dos acontecimentos, amplamente divulgados após a circulação de um vídeo publicado pela Metro, a direcção do Indira Gandhi Medical College confirmou a abertura de um inquérito interno. O superintendente médico do hospital, Dr. Rahul Rao, informou que um comité de três elementos está a apurar os factos e deverá apresentar um relatório em breve. O incidente também foi comunicado à polícia local, que registou uma queixa contra o médico.
As autoridades ainda não anunciaram quaisquer medidas disciplinares ou legais, aguardando a conclusão do inquérito interno. No entanto, o caso tem sido amplamente noticiado, alimentando o debate nacional sobre os limites da autoridade médica, o respeito mútuo entre pacientes e profissionais e, sobretudo, a segurança dos que trabalham no sector da saúde pública.
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Organizações médicas e sindicais têm apelado à calma e ao respeito pelo direito à defesa do médico, recordando que o vídeo divulgado mostra apenas parte do incidente. Por outro lado, associações de doentes pedem medidas rigorosas contra qualquer forma de violência médica, caso se comprovem os maus-tratos.
O desfecho do inquérito será decisivo para clarificar os acontecimentos, mas o episódio já serviu para expor fragilidades profundas no sistema de saúde indiano e a necessidade urgente de melhorar a comunicação, a empatia e o respeito mútuo nas relações entre médicos e pacientes.

