Maternidade após os 45 anos cresce em Portugal

A maternidade em idade mais avançada tem vindo a tornar-se cada vez mais frequente em Portugal, refletindo profundas mudanças sociais, profissionais e biológicas. Atualmente, quase duas mulheres por dia são mães depois dos 45 anos, e perto de metade destas situações corresponde ao nascimento do primeiro filho, um dado que evidencia a transformação dos padrões tradicionais da parentalidade.

A maternidade em idade mais avançada
Maternidade após os 45 anos cresce em Portugal © Rita Chantre

Este fenómeno resulta de uma conjugação de fatores. Por um lado, a crescente prioridade dada à carreira e à estabilidade financeira leva muitas mulheres a adiar a decisão de ter filhos. Por outro, a dificuldade em encontrar um projeto de vida afetivo estável mais cedo também contribui para esse adiamento. A estas dimensões soma-se a evolução da medicina reprodutiva, que tem permitido prolongar a possibilidade de gravidez através de técnicas como a Procriação Medicamente Assistida (PMA), ainda que com limitações e riscos acrescidos associados à idade materna.

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Os especialistas sublinham que, apesar dos avanços científicos, a fertilidade feminina diminui naturalmente com o passar dos anos, tornando as gravidezes tardias mais complexas e, muitas vezes, dependentes de acompanhamento clínico especializado. Ainda assim, o número de mulheres que conseguem concretizar o desejo de maternidade numa fase mais tardia da vida tem vindo a aumentar de forma consistente.

O percurso de Rosário Martins: 11 anos de espera até à maternidade

O caso de Rosário Martins ajuda a ilustrar esta realidade em crescimento. Arquitecta de profissão, sempre desejou ser mãe, mas nunca sentiu a pressão de o ser cedo. Contudo, por volta dos 35 anos, o desejo tornou-se mais intenso. “Aos 35 anos comecei a dizer ‘quero ser mãe, quero ser mãe’, e foram 11 anos de espera”, recorda.

A maternidade acabou por se concretizar em 2024, quando tinha 46 anos, com o nascimento de Joaquim, fruto de uma experiência vivida em contexto de monoparentalidade. O percurso até esse momento foi longo e marcado por várias tentativas, expectativas e desilusões.

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Em 2019, Rosário conseguiu engravidar com recurso à Procriação Medicamente Assistida, já depois dos 40 anos. No entanto, a gravidez acabou por ser interrompida devido a malformações detetadas no feto, uma experiência que descreve como particularmente difícil e emocionalmente exigente.

Depois dessa fase, ainda tentou o processo de adoção, mas sem sucesso. Determinada em não desistir do sonho da maternidade, procurou novas alternativas médicas e pessoais, até que, anos mais tarde, conseguiu finalmente segurar o filho nos braços.

Hoje, Joaquim tem dois anos e representa o culminar de um longo percurso marcado pela persistência, pela resiliência emocional e por múltiplas tentativas ao longo de mais de uma década.

Um fenómeno social marcado por novas formas de maternidade

Histórias como a de Rosário Martins refletem uma tendência crescente na sociedade portuguesa, em que a maternidade deixa de estar estritamente associada a uma idade convencional e passa a ser moldada por trajetórias de vida cada vez mais diversas.

O adiamento da maternidade não é apenas uma questão individual, mas também estrutural, influenciado por mudanças no mercado de trabalho, maior participação feminina no ensino superior e nas carreiras qualificadas, e transformações nas dinâmicas familiares e afetivas.

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Ao mesmo tempo, o recurso a tecnologias de reprodução assistida tem desempenhado um papel determinante na possibilidade de muitas mulheres concretizarem o desejo de serem mães em idades mais avançadas, embora nem sempre com sucesso garantido.

Apesar dos desafios médicos e sociais associados à gravidez tardia, este fenómeno tem vindo a ganhar visibilidade e a ser cada vez mais debatido, refletindo uma mudança profunda na forma como a sociedade portuguesa encara a maternidade e o tempo certo para ter filhos.

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