Mais de metade dos utentes portugueses está insatisfeita com a coordenação dos cuidados prestados nos centros de saúde, segundo o relatório nacional do estudo PaRIS, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e coordenado em Portugal pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O estudo, divulgado esta quinta-feira, avaliou os resultados e as experiências de utentes que recorrem aos cuidados de saúde primários em 19 países. De acordo com o documento, Portugal apresenta valores significativamente inferiores à média internacional em quase todos os indicadores analisados, destacando-se a perceção negativa da saúde geral e da articulação entre serviços.
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Os dados foram recolhidos no segundo semestre de 2023 junto de 11 mil utentes com 45 ou mais anos e com pelo menos uma doença crónica.
Saúde geral e confiança no sistema com resultados abaixo da média
Entre os principais indicadores analisados, apenas 42% dos inquiridos em Portugal classificaram o seu estado de saúde geral como bom, muito bom ou excelente. A média dos países participantes no estudo da OCDE situa-se nos 66%.
No que diz respeito à coordenação dos cuidados de saúde, apenas 49% dos utentes portugueses consideraram a experiência positiva, enquanto a média internacional é de 59%.
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Já a confiança no sistema de saúde foi considerada positiva por 54% dos participantes em Portugal, também abaixo dos 62% registados na média da OCDE.
Segundo André Peralta Santos, subdiretor-geral da Saúde e um dos autores do estudo em Portugal, “mais de metade dos utentes estão insatisfeitos com a coordenação de cuidados”.
DGS propõe três estratégias para melhorar centros de saúde
Perante os resultados, a Direção-Geral da Saúde definiu três eixos estratégicos para reforçar a resposta dos cuidados de saúde primários em Portugal.
O primeiro passa pela transformação digital, com destaque para o alargamento das videoconsultas, uma ferramenta já disponível, mas ainda pouco utilizada pelos utentes.
O segundo eixo centra-se na personalização dos cuidados, com o objetivo de garantir um plano individual de cuidados para todos os utentes. Atualmente, apenas três em cada dez pessoas têm esse plano partilhado entre médico e utente.
Por fim, a terceira prioridade está ligada ao reforço da confiança no sistema, através da recolha regular da opinião dos utentes e da implementação de melhorias com base nos resultados obtidos.
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Estudo PaRIS dá voz aos utentes portugueses
A DGS considera que este relatório representa um passo importante para ouvir os cidadãos e ajustar os serviços de saúde às suas necessidades reais.
O estudo PaRIS é o primeiro grande levantamento internacional da OCDE focado na experiência dos utentes nos cuidados de saúde primários, permitindo comparar desempenhos e identificar áreas prioritárias de intervenção.

