Mais de 200 crianças mortas durante repressão violenta a protestos no Irão

Mais de 200 crianças morreram durante a brutal repressão aos protestos que se espalharam pelo Irão desde dezembro de 2025. As manifestações começaram devido a dificuldades económicas e rapidamente evoluíram para pedidos generalizados de mudança de regime.

Mais de 200 crianças morreram
Mais de 200 crianças mortas durante repressão violenta a protestos no Irão © Vuk Valcic/ZUMA Press Wire/Shutterstock

Autoridades estimam que mais de 5.000 pessoas tenham perdido a vida, tornando estes os confrontos internos mais mortíferos desde a Revolução Islâmica de 1979. O Center for Human Rights in Iran revelou que pelo menos 216 crianças foram mortas e centenas continuam detidas, separadas das suas famílias, correndo risco de abusos graves enquanto permanecem sob custódia estatal.

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Bahar Ghandehari, diretor de advocacy do CHRI, descreveu o cenário como “uma emergência de direitos humanos”, salientando que centenas de crianças estão expostas a violências extremas e à violação sistemática dos seus direitos. Ghandehari apelou à comunidade internacional para exercer pressão diplomática coordenada sobre o Irão, exigir a libertação imediata das crianças detidas e iniciar investigações independentes para responsabilizar os autores das mortes.

Violação sistemática dos direitos das crianças e apagamento da memória

O Coordinating Council of Iranian Teachers’ Trade Associations alertou que as crianças perderam não apenas a vida, mas também os seus sonhos, educação e futuro, vítimas de uma política deliberada de violência sistemática. A associação afirmou que as autoridades têm tentado apagar a memória das vítimas, proibindo menções aos seus nomes, realizando sepulturas secretas e negando a ocorrência dos homicídios.

Os protestos iniciaram-se a 28 de dezembro em Teerão, na sequência do colapso da moeda local, o rial, e rapidamente se espalharam por todo o país. No dia 8 de janeiro, as autoridades bloquearam o acesso à internet e às comunicações telefónicas antes de disparos das forças governamentais ecoarem pela cidade, numa tentativa de controlar manifestações que ameaçavam derrubar o regime.

Segundo dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), nos primeiros 48 dias de protestos, 7.008 manifestantes foram mortos, incluindo 219 crianças, com cerca de 11.730 mortes ainda sob investigação. Estes números refletem o grau extremo de violência contra civis, especialmente menores, e alertam para a gravidade da crise humanitária no país.

Jovens manifestantes e repressão militar internacional

Além das mortes de crianças, jovens manifestantes continuam a ser alvo de violência directa. Entre os casos mais recentes, destaca-se o de uma estudante de moda de 23 anos atingida na cabeça a curta distância durante os protestos a 8 de janeiro. Outro exemplo é o de Erfan Soltani, de 26 anos, que enfrentou a pena de morte pelo seu envolvimento nas manifestações, mas acabou por ser libertado sob fiança.

Além das mortes de crianças, jovens manifestantes continuam a ser alvo de violência
Jovens manifestantes e repressão militar internacional © Vuk Valcic/ZUMA Press Wire/Shutterstock

O contexto internacional também se mantém tenso. Esta semana, o exército dos Estados Unidos abateu um drone iraniano Shahed-139 que se aproximava de um porta-aviões americano no Mar Arábico. O incidente surge num período de crescentes ameaças e negociações entre Washington e Teerão, incluindo a possibilidade de ataques cibernéticos ou operações militares contra o país.

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A situação reforça a urgência de uma resposta coordenada da comunidade internacional para proteger crianças, civis e manifestantes, exigir responsabilidade pelos abusos e garantir que os direitos humanos sejam respeitados mesmo em períodos de instabilidade política.

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