Mães estrangeiras em Portugal crescem cinco vezes em 10 anos

O perfil das maternidades em Portugal tem vindo a sofrer uma alteração notável nos últimos dez anos, com um aumento substancial do número de mães estrangeiras a dar à luz no país. Em contrapartida, os partos de mulheres portuguesas têm registado uma diminuição acentuada, evidenciando uma mudança estrutural no panorama demográfico nacional.

Mulher grávida brinca ccom sua barriga
Mães estrangeiras em Portugal crescem cinco vezes em 10 anos © Freepik

Número de nascimentos de mães estrangeiras quintuplicou desde 2015

De acordo com dados oficiais do Ministério da Justiça, citados pelo Jornal de Notícias, em 2025 foram registados 25.083 nascimentos de mulheres estrangeiras residentes em Portugal. Este número representa um aumento de cinco vezes em relação a 2015, quando o total era de apenas 4.591.

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Este fenómeno tem sido impulsionado por uma crescente imigração, bem como por uma maior permanência de estrangeiros no país, refletindo-se de forma direta na composição dos partos. O fenómeno tem vindo a marcar uma alteração substancial na composição das mães, destacando um papel crescente da população imigrante na sociedade portuguesa.

Entre os principais grupos de mães estrangeiras, destacam-se aquelas provenientes de países como Brasil, Ucrânia e Cabo Verde, cujos cidadãos têm mostrado um aumento significativo na sua permanência e integração em território português. O facto de muitos destes países apresentarem taxas de natalidade mais elevadas tem contribuído para este crescimento no número de nascimentos, enquanto o aumento de mulheres em idade fértil no país também se reflete nas estatísticas de partos.

Partos de mulheres portuguesas em queda acentuada

Em contraste, os nascimentos de mulheres portuguesas registaram uma queda substancial, caindo de 81.524 em 2015 para 64.079 em 2025. Esta redução de quase 21% reflete uma tendência mais ampla que tem sido observada nos últimos anos: uma diminuição da taxa de natalidade em Portugal, associada a uma série de fatores sociais e económicos. A instabilidade económica, a postergação do momento da maternidade e a escolha por ter menos filhos são algumas das razões apontadas para essa redução.

O ano de 2022 destacou-se como um ponto de viragem. Após uma descida generalizada nos anos de 2020 e 2021, causada pela pandemia de covid-19, o número de partos de mães portuguesas viu-se acentuadamente reduzido, ao passo que o número de nascimentos de mães estrangeiras teve um aumento expressivo, praticamente duplicando desde então. Este dado sublinha uma mudança importante nas dinâmicas familiares e demográficas do país, refletindo as novas realidades sociais e económicas de uma nação em transformação.

A relevância da imigração para o futuro demográfico de Portugal

A mudança nas estatísticas de natalidade em Portugal coloca desafios e oportunidades para o futuro. O aumento do número de mães estrangeiras, embora contribuindo positivamente para o equilíbrio demográfico, coloca também questões sobre a integração e os recursos necessários para acomodar este novo perfil de mães. A maior presença de mulheres imigrantes em idade fértil também levanta questões sobre os direitos sociais, educação e políticas de apoio à maternidade, uma vez que estas mulheres representam uma parte crescente da força de trabalho e da sociedade portuguesa.

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As autoridades terão de adaptar as suas políticas e serviços para responder a estas mudanças, considerando as especificidades culturais e sociais das diferentes comunidades estrangeiras que agora contribuem de forma significativa para a população jovem do país.

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