O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu esta segunda-feira (9) o reforço da capacidade de defesa entre países do Sul Global durante um encontro oficial com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Durante a cerimónia, Lula afirmou que os dois países devem desenvolver tecnologia e produção próprias na área da defesa, evitando depender da indústria militar internacional. Segundo o presidente brasileiro, os ministros da Defesa de ambos os países deverão reunir-se ainda no mesmo dia para discutir formas de aprofundar a cooperação estratégica, de acordo com informações divulgadas pelo Poder360.
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O chefe de Estado brasileiro sublinhou que a região não possui armas nucleares e que tecnologias como drones são utilizadas sobretudo para fins civis e agrícolas. Ainda assim, alertou para a importância de manter uma capacidade dissuasora. “Se não prepararmos essa questão, alguém invade-nos”, afirmou.
Lula acrescentou que Brasil e África do Sul podem aproveitar o seu potencial industrial para produzir equipamentos de defesa, evitando recorrer aos chamados “senhores das armas”, numa referência às grandes potências exportadoras de armamento.
Tensão internacional e debate sobre modernização das Forças Armadas
O debate sobre a capacidade de defesa voltou a ganhar força no governo brasileiro após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro. O episódio elevou a perceção de risco na América do Sul e reacendeu discussões no Governo do Brasil sobre a modernização das Forças Armadas.
Durante o encontro, Ramaphosa destacou que Brasil e África do Sul mantêm uma posição comum em defesa da paz e do diálogo internacional. O presidente sul-africano afirmou que o mundo vive um período de intensificação de conflitos e apelou à resolução pacífica das disputas, condenando a perda de vidas civis e a destruição de infraestruturas essenciais.
Lula também solicitou o apoio da África do Sul à participação no Organização das Nações Unidas no chamado Fundo para Resposta a Perdas e Danos, mecanismo climático criado para compensar países vulneráveis pelos impactos das alterações climáticas.
Visita oficial reforça comércio bilateral e cooperação económica
A visita de Ramaphosa a Brasília teve como principal objetivo ampliar o comércio bilateral entre as duas economias emergentes. Dados do sistema ComexStat indicam que o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu cerca de 2,3 mil milhões de dólares em 2025, valor considerado abaixo do potencial económico de ambos.
Durante a reunião, foram assinados dois memorandos de entendimento. O primeiro estabelece cooperação no setor do turismo, com foco em formação e assistência técnica. O segundo envolve a ApexBrasil e o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, com o objetivo de promover comércio e investimentos sustentáveis.
A agenda da visita incluiu ainda o Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, organizado pela ApexBrasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, reunindo representantes do setor privado dos dois países.
Próximos encontros internacionais entre Lula e Ramaphosa
Os dois líderes deverão voltar a reunir-se a 18 de abril em Barcelona, em Espanha, durante a quarta reunião internacional em defesa da democracia, convocada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
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Além disso, Lula indicou que os dois presidentes deverão encontrar-se novamente ao longo de 2026 em eventos internacionais como o G7, o BRICS e o G20, reforçando o diálogo político e económico entre as principais economias emergentes do Sul Global.


Concordo que seja importante implementar cada vez mais formas de defesa, porque apesar de o Brasil ser um país mediador e não se envolver diretamente com as guerras, estamos vivendo um período bastante preocupante. Proteção nunca é demais.