O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou-se contra o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, aprovado pelo Senado na quarta-feira (17/12). O projeto visa reduzir penas de condenados pelos crimes relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula afirmou, durante um café da manhã com jornalistas, que, caso o PL chegue à sua mesa, ele será vetado.

Contexto do Projeto de Lei e Suas Implicações
O PL da Dosimetria foi aprovado no Senado com 48 votos a favor e 25 contra. Ele altera as regras de progressão de pena, principalmente em relação aos crimes cometidos em 8 de janeiro de 2023, que incluíram a tentativa de golpe de Estado. Caso seja sancionado, o projeto pode reduzir significativamente o tempo de cumprimento de pena para Bolsonaro e outros condenados por esses atos.
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A principal modificação proposta é o fim da soma das penas para crimes como a tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. Em vez disso, a pena mais grave seria priorizada, com a possibilidade de um acréscimo parcial da pena do outro crime. Além disso, a proposta permite uma progressão mais rápida de regime, facilitando a transição para o regime semiaberto ou domiciliar após o cumprimento de um sexto da pena, e reduz a pena de 1/3 a 2/3 em casos cometidos em contexto de multidão.
Para o ex-presidente Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), as mudanças podem reduzir sua pena de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da interpretação judicial.

Reações e Oposição ao Projeto
O presidente Lula se opôs veementemente à proposta, considerando-a um erro e afirmando que as pessoas que cometeram crimes contra a democracia brasileira devem ser responsabilizadas. “Quem cometeu um crime contra a democracia terá que pagar pelos atos cometidos contra este país”, declarou Lula.
A oposição ao PL não se limitou ao presidente. Líderes do PT no Congresso, como o senador Jaques Wagner e o deputado Lindbergh Farias, também se mostraram contra a proposta, destacando que o PL seria um “convite para o retrocesso” e uma tentativa de “relativizar os ataques à democracia”. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a condução do projeto, considerando-a um erro lamentável que contraria a posição do governo.
Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro comemorou a aprovação do projeto, embora tenha admitido que não era exatamente o que desejava. Ele afirmou que a proposta representava uma oportunidade para pacificar o país e permitir que aqueles condenados pelos atos de 8 de janeiro “retomassem suas vidas”.
Pesquisa de Opinião e Debate Público
Uma pesquisa recente da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostrou que a maioria da população brasileira desaprova a proposta. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados são contrários ao projeto, enquanto apenas 24% são favoráveis. O restante se dividiu entre aqueles que desejam penas ainda menores e aqueles que não possuem opinião formada.
O apoio ao PL também varia conforme a filiação política. Entre os bolsonaristas, 53% apoiam a redução das penas, enquanto entre os lulistas, 77% se mostram contra o projeto. Isso reflete a polarização que marca o debate político no Brasil, especialmente em torno da figura de Jair Bolsonaro e dos atos de 8 de janeiro.
Críticas ao Contexto Político da Proposta
Especialistas também levantaram questões sobre a motivação política do PL da Dosimetria. Para Luisa Ferreira, professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o problema do projeto não está na flexibilização das regras de progressão de pena, mas no contexto político em que foi proposto. A especialista destacou que a proposta parece ser uma resposta direta ao desejo de beneficiar Bolsonaro, sem uma análise mais profunda sobre a reforma do sistema penal brasileiro.
O advogado criminalista Guilherme Furniel também criticou a “benevolência legislativa de ocasião” do projeto, que, em sua visão, não busca repensar o sistema carcerário, mas sim amenizar as penas de um grupo específico de condenados.
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O Futuro do Projeto: Vetos e Possíveis Derrubadas
Caso Lula realmente vete o PL da Dosimetria, o Congresso Nacional terá a opção de derrubar o veto e sancionar o projeto. Lula afirmou que, embora tenha o direito de vetar, o Congresso tem a liberdade de derrubar sua decisão, criando um impasse que poderá se arrastar pelas próximas semanas.
O desfecho da proposta ainda está em aberto, e a polarização política sobre o tema tende a intensificar os debates no Senado e na Câmara dos Deputados. O PL da Dosimetria segue sendo um ponto de controvérsia no Brasil, com implicações tanto para a justiça quanto para o futuro político do país.

