O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou esta terça-feira que o país poderá adotar medidas de “reciprocidade” após a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho pelos Estados Unidos.

O governo norte-americano justificou a decisão alegando que o agente brasileiro teria monitorado o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) no estado da Florida, com o objetivo de acelerar um processo de extradição. O caso provocou tensão diplomática entre Brasília e Washington.
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Antes de viajar da Alemanha para Portugal, Lula comentou o episódio junto de jornalistas e criticou a decisão norte-americana.
“Se houve um abuso, sabe, americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou o presidente, acrescentando que o país não aceitará “ingerência” nem “abuso de autoridade”.
Governo brasileiro fala em resposta proporcional e contesta atuação dos EUA
O presidente também defendeu que o Brasil pretende manter relações internacionais baseadas no respeito mútuo, mas sem tolerar ações que considere abusivas por parte de autoridades estrangeiras.
“Queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência”, declarou Lula.
A posição do governo surge após a decisão dos Estados Unidos de interromper a missão de Marcelo Ivo Carvalho, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde 2023, no âmbito da cooperação internacional em segurança.
A função do delegado incluía articulação com o Departamento de Segurança Interna norte-americano em áreas como imigração e combate ao terrorismo. A sua missão tinha sido prorrogada até agosto de 2026, mas acabou por ser encerrada antecipadamente.
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Atuação do delegado e contexto do caso Ramagem
Marcelo Ivo Carvalho tem mais de 20 anos de carreira na Polícia Federal, tendo ocupado cargos como superintendente da PF na Paraíba, delegado regional de investigação do crime organizado em São Paulo e chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A polémica ganhou dimensão após a detenção de Alexandre Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controlo de Aduanas dos EUA), que foi libertado dois dias depois. Ramagem, que reside atualmente nos Estados Unidos, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes relacionados com tentativa de golpe de Estado, incluindo organização criminosa e abolição violenta do Estado de Direito.
As autoridades brasileiras afirmam que a detenção ocorreu no âmbito de cooperação internacional. Já os Estados Unidos contestam essa versão e alegam que houve tentativa de manipulação do sistema migratório e de contorno de procedimentos formais de extradição.
O caso também foi comentado politicamente no Brasil. O senador Dr. Hiran (PP-RR) afirmou que um delegado nos EUA estaria a perseguir Ramagem e a sua família, apontando ainda alegadas pressões institucionais relacionadas com o processo.
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Tensão diplomática aumenta após troca de acusações
O Departamento de Estado norte-americano justificou a expulsão de Marcelo Ivo Carvalho com base em alegações de interferência indevida e tentativa de prolongar perseguições de natureza política em território norte-americano.
A decisão levou o governo brasileiro a considerar medidas de resposta, abrindo um novo episódio de tensão diplomática entre os dois países, centrado na atuação de agentes de segurança e nos limites da cooperação internacional em investigações criminais.

