Jovem acusado de recrutar neonazis online

Um jovem britânico promoveu ideologia de extrema-direita e incentivou atos de terrorismo através das redes sociais enquanto ainda era menor de idade, revelou um tribunal de Londres. O caso expõe o uso de plataformas digitais para a difusão de propaganda extremista e para o recrutamento de apoiantes de grupos neonazis, a partir de um contexto doméstico aparentemente comum.

Um jovem britânico
Jovem acusado de recrutar neonazis online © Getty

Propaganda extremista difundida através do Telegram

Joseph Cope, atualmente com 20 anos, iniciou a sua atividade online quando tinha apenas 16, criando e moderando um canal público na aplicação Telegram denominado Serrano’s Division. O canal contava com 277 subscritores e foi utilizado para a partilha sistemática de mensagens de ódio, apelos à violência e incentivo direto à prática de atos terroristas de inspiração fascista.

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Segundo o que foi revelado em tribunal, Cope usava o canal para encorajar outros utilizadores a “juntarem-se aos nazis locais”, promovendo uma narrativa de supremacia racial e hostilidade contra diferentes grupos religiosos e étnicos. Paralelamente, criou um segundo canal, designado Great Library of Thule, que funcionava como um repositório de conteúdos extremistas.

Nesse espaço, o arguido publicou centenas de documentos, incluindo obras de propaganda nazi, textos ideológicos de extrema-direita e manuais que descreviam formas de provocar desordem pública e incitar ataques violentos contra minorias raciais e religiosas.

Conteúdos violentos e referências a terrorismo de extrema-direita

Entre os materiais partilhados estavam imagens de Anders Breivik, autor dos atentados de 2011 na Noruega que resultaram na morte de 77 pessoas, acompanhadas de símbolos nazis e mensagens de apoio. Outras publicações mostravam figuras armadas, cenas de enforcamento e frases que apelavam à execução de “traidores”, bem como mensagens de ódio dirigidas a judeus, muçulmanos e cristãos.

O tribunal ouviu ainda que Cope partilhou imagens e textos que promoviam a ideologia ariana e defendiam a eliminação violenta de grupos religiosos, utilizando linguagem explícita e iconografia associada ao terrorismo de extrema-direita.

Detenção em casa dos pais e acusações criminais

Joseph Cope foi detido a 14 de junho de 2022, no quarto da casa dos pais, em Borehamwood, no condado de Hertfordshire. Quando as autoridades se deslocaram à residência, foram informadas pelo pai de que o jovem se encontrava no seu quarto. Durante as buscas, a polícia apreendeu vários livros e documentos associados ao extremismo de direita.

Entre o material encontrado estava o chamado White Resistance Manual, considerado pelas autoridades britânicas como um documento terrorista. O jovem foi formalmente acusado de três crimes de incentivo ao terrorismo, um crime de divulgação de publicações terroristas através de uma plataforma digital e um crime de posse de material terrorista.

O arguido declarou-se inocente de todas as acusações. O julgamento teve início no ano passado, mas acabou por ser interrompido poucos dias depois, quando o estado de saúde mental de Cope se agravou, impossibilitando a continuação do processo.

Saúde mental e próximos passos judiciais

O tribunal foi informado de que Joseph Cope tem perturbação do espectro do autismo. Durante os interrogatórios, o jovem alegou ter sido manipulado por uma entidade designada “Hydra”, que o teria incentivado a publicar os conteúdos extremistas. No entanto, a polícia concluiu que não existiam provas da existência dessa pessoa ou grupo, tratando-se de uma referência fictícia associada a universos de banda desenhada e cinema.

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O juiz Mark Lucraft, Recorder de Londres, ordenou a realização de relatórios psiquiátricos aprofundados para avaliar a capacidade do arguido de participar no processo judicial. Está ainda a ser considerada a aplicação de medidas ao abrigo da Lei da Saúde Mental, decisão que deverá ser tomada numa fase posterior.

As autoridades salientaram que o caso ilustra de forma clara os riscos associados à radicalização online de jovens e ao uso das redes sociais como ferramenta de propaganda e recrutamento extremista, sublinhando a necessidade de vigilância e intervenção precoce para prevenir a disseminação de ideologias violentas.

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