Jovem manifestante condenado à morte no Irão

As autoridades iranianas preparam-se para executar um jovem de 26 anos que participou em protestos antigovernamentais, num caso que está a gerar forte indignação internacional. Erfan Soltani foi condenado à morte pelo crime de moharebeh — “inimizade contra Deus” — uma acusação frequentemente utilizada pelo regime para punir opositores e manifestantes.

As autoridades iranianas
Jovem manifestante condenado à morte no Irão © X

A execução, prevista para as próximas horas, deverá ser realizada por enforcamento e será, segundo organizações de direitos humanos, a primeira diretamente ligada à atual vaga de protestos no Irão. O processo judicial terá decorrido sem garantias mínimas de defesa, com Soltani a ser privado de advogado e de um julgamento justo, de acordo com fontes próximas da família.

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Família sob vigilância e autorizada a despedida simbólica

Após insistentes pedidos, a família de Erfan Soltani recebeu autorização para uma única visita de apenas dez minutos, apresentada pelas autoridades como uma “despedida final” antes da execução. A informação foi avançada pela plataforma IranWire, que relata um clima de intensa pressão e intimidação sobre os familiares.

Fontes familiares indicam que Soltani vinha a receber mensagens ameaçadoras por parte das forças de segurança antes da sua detenção, mas manteve-se firme na participação nos protestos. Um familiar próximo, que é advogado, tentou assumir a defesa do jovem, mas foi impedido pelas autoridades e alegadamente ameaçado por agentes de segurança, que lhe terão comunicado que não existia qualquer processo a consultar e que a sentença era definitiva.

Erfan Soltani trabalhava no setor do vestuário e tinha recentemente conseguido um novo emprego numa empresa privada. Amigos e conhecidos descrevem-no como um jovem interessado em moda, desporto e atividade física, que levava uma vida simples e sem envolvimento político organizado.

Detenção durante protestos e ausência de informação oficial

Soltani foi detido há cerca de cinco dias na cidade de Fardis, nos arredores de Teerão, enquanto participava numa manifestação. Durante vários dias, a família não teve qualquer informação sobre o seu paradeiro, até ser contactada pelas autoridades com a notícia da detenção e da execução iminente.

Segundo Arina Moradi, membro da organização Hengaw para os Direitos Humanos, a família ficou “profundamente chocada” com a decisão. “O filho nunca foi um ativista político. Era apenas parte da geração mais jovem que saiu à rua para protestar contra a situação atual no Irão”, afirmou.

Comunidade internacional alerta para escalada repressiva

Organizações internacionais de direitos humanos têm vindo a denunciar uma repressão cada vez mais violenta por parte das autoridades iranianas. A Iran Human Rights, com sede na Noruega, comparou os acontecimentos recentes aos crimes cometidos pelo regime iraniano na década de 1980, considerados crimes contra a humanidade, e apelou a uma resposta firme da comunidade internacional.

De acordo com a Human Rights Activist News Agency, sediada nos Estados Unidos, pelo menos 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança terão sido mortos, enquanto mais de 10.600 pessoas foram detidas em apenas duas semanas de protestos. Estes números não puderam ser verificados de forma independente, devido às restrições impostas pelo regime.

Internet cortada e forte presença policial nas ruas

O Governo iraniano suspendeu o acesso à internet e às comunicações móveis em várias regiões do país, numa tentativa de conter os protestos e dificultar a divulgação de informação para o exterior. Testemunhas em Teerão relataram à agência Associated Press uma presença reforçada das forças de segurança, com polícia de choque equipada com capacetes, coletes de proteção, bastões, escudos, espingardas e lançadores de gás lacrimogéneo.

As autoridades iranianas
Internet cortada e forte presença policial nas ruas © X

Segundo estes relatos, caixas multibanco foram vandalizadas e os bancos enfrentaram dificuldades para realizar transações devido à falta de acesso à internet. Apesar disso, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a situação está “totalmente sob controlo”, sem apresentar dados que sustentem essa declaração.

Mortes de civis aumentam preocupação internacional

Entre as vítimas da repressão encontra-se Rubina Aminian, de 23 anos, estudante de moda no Colégio Shariati, em Teerão. A jovem foi morta a tiro depois de sair da instituição de ensino e juntar-se a manifestações no dia 8 de janeiro. Fontes próximas da família indicaram à Iran Human Rights que a estudante, de origem curda, foi atingida na cabeça, a curta distância.

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A mãe de Rubina afirmou ter visto “centenas de corpos” durante os confrontos, um testemunho que reforça as preocupações quanto à escala da violência e ao número real de vítimas, ainda não divulgado oficialmente pelo Governo iraniano.

2 thoughts on “Jovem manifestante condenado à morte no Irão”

  1. É revoltante ver um jovem ser condenado à morte apenas por se manifestar. Mesmo não sendo ativista político, teve a vida interrompida de forma brutal, sem direito a defesa ou justiça.

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