O Presidente da República de Angola, João Lourenço, desloca-se esta quarta-feira à província de Benguela para avaliar no terreno a dimensão dos estragos causados pelas enchentes que afectaram várias localidades da cidade, na sequência do transbordo das águas do rio Cavaco.

A visita presidencial acontece num momento em que aumentou para cerca de oito mil o número de pessoas desalojadas, segundo dados avançados pelo governador provincial, Manuel Nunes Júnior. As famílias afectadas foram encaminhadas para centros provisórios de acolhimento instalados no Campismo Novo e no Campismo Velho, onde aguardam apoio e melhores condições de assistência.
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As fortes chuvas dos últimos dias provocaram inundações severas, destruíram habitações, isolaram bairros inteiros e obrigaram ao resgate de milhares de cidadãos. Muitas famílias perderam os seus bens e continuam dependentes da ajuda das autoridades.
Centenas de casas destruídas e milhares de pessoas resgatadas
De acordo com o governo provincial, estão contabilizadas centenas de habitações destruídas ou inundadas, deixando milhares de residentes sem condições para regressar às suas casas.
As equipas de emergência conseguiram resgatar mais de três mil pessoas desde o início da calamidade, numa operação que envolve vários organismos do Estado e forças de segurança.
Segundo Manuel Nunes Júnior, o centro de acolhimento do Campismo Velho foi o primeiro a ser activado, logo após o agravamento das inundações no domingo. Posteriormente, devido ao aumento do número de desalojados, foi necessário criar um segundo espaço de acolhimento no Campismo Novo.
O governador reconheceu que o primeiro centro apresenta melhores condições logísticas, dispondo já de estruturas sanitárias e apoio médico, enquanto no segundo continuam os trabalhos de organização e instalação de latrinas para garantir dignidade às famílias acolhidas.
Governo reforça assistência com alimentos, água e abrigo
As autoridades angolanas asseguram que continuam a mobilizar recursos para responder às necessidades mais urgentes da população afectada. Entre os bens distribuídos encontram-se alimentos, água potável, roupas, colchões, tendas e outros produtos essenciais.
Além da assistência humanitária, decorrem trabalhos de emergência para reposição dos diques danificados e reforço das infra-estruturas de contenção, numa tentativa de minimizar o risco de novas cheias caso a chuva persista.
O governador provincial afirmou que o Executivo está a trabalhar em articulação com vários ministérios, incluindo Finanças, Acção Social e Saúde, para garantir uma resposta rápida e eficaz.
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João Lourenço reúne-se com Comissão Nacional de Protecção Civil
Durante a deslocação a Benguela, o Presidente João Lourenço deverá reunir-se com a Comissão Nacional de Protecção Civil para obter informações detalhadas sobre a situação e avaliar o volume de apoio necessário aos sinistrados.
A comissão é responsável por coordenar respostas a emergências em todo o território nacional e actua nas 21 províncias angolanas sempre que se registam fenómenos naturais extremos ou outras situações críticas.
A presença do Chefe de Estado nas zonas afectadas pretende também transmitir solidariedade às populações e acompanhar de perto os impactos sociais e materiais provocados pelas enchentes.
Benguela suspende aulas e circulação ferroviária
Face à gravidade da situação, o Governo Provincial de Benguela determinou medidas excepcionais, entre as quais a suspensão das aulas e a interrupção temporária da circulação do comboio em algumas áreas afectadas.
As autoridades alertam para a necessidade de manter vigilância permanente, uma vez que o solo permanece saturado e algumas zonas continuam vulneráveis a novos alagamentos.
MPLA manifesta pesar e solidariedade às vítimas
Entretanto, o Bureau Político do Comité Central do MPLA manifestou profunda consternação pelas perdas humanas e pelos danos materiais registados em Benguela.
Numa nota oficial, o partido apresentou condolências às famílias enlutadas e reiterou apoio total ao Executivo na mobilização de meios para proteger as populações atingidas.
A vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, também expressou sentimentos de pesar e apelou à solidariedade nacional, defendendo uma resposta coordenada, eficaz e unida perante os efeitos das chuvas intensas.
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Chuvas extremas reforçam necessidade de prevenção
As autoridades reconhecem que episódios de chuva intensa têm afectado diversas províncias do país, aumentando os desafios ligados ao ordenamento do território, drenagem urbana e resposta rápida a emergências.
Perante o cenário actual, o Governo angolano promete reforçar políticas públicas de prevenção e resiliência climática, de modo a reduzir o impacto de futuras intempéries sobre as populações.

