O magnata dos media e activista pró-democracia Jimmy Lai, uma das vozes mais críticas de Pequim em Hong Kong, foi condenado a 20 anos de prisão por crimes ao abrigo da lei de segurança nacional. A decisão põe termo a um processo judicial que se prolongou por quase cinco anos e representa a pena mais severa aplicada até agora neste tipo de casos.

Jimmy Lai, cidadão britânico e fundador do extinto jornal Apple Daily, foi considerado culpado de duas acusações de conspiração para conluio com forças estrangeiras e de um crime de publicação de materiais considerados sediciosos. Detido pela primeira vez em Agosto de 2020, o empresário de 78 anos já tinha sido condenado em 2024, aguardando desde então a definição da pena.
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Os juízes do tribunal de segurança nacional classificaram os crimes como de “natureza grave”, enquadrando a condenação no escalão máximo previsto na lei. Segundo o colectivo judicial, Lai foi o “mentor” e a força motriz de conspirações persistentes que visavam obter sanções, bloqueios e outras medidas hostis por parte dos Estados Unidos e de outros países.
Reacções da família e críticas internacionais
A decisão provocou forte reacção por parte da família do empresário. Sebastien Lai, filho do condenado, afirmou a partir do exterior de Hong Kong que a sentença é “devastadora para a nossa família e representa uma ameaça à vida do meu pai”, denunciando aquilo que descreveu como a destruição total do sistema jurídico do território.
O caso voltou a atrair críticas internacionais, com líderes políticos e organizações de direitos humanos a condenarem a severidade da pena. A directora para a Ásia da Human Rights Watch, Elaine Pearson, considerou que a condenação equivale “na prática a uma sentença de morte”, classificando-a como cruel e profundamente injusta.
Jimmy Lai, que sofre de diabetes e hipertensão, sempre rejeitou as acusações, afirmando em tribunal ser um prisioneiro político alvo de perseguição por parte de Pequim. A sua situação tornou-se um símbolo do endurecimento do controlo político em Hong Kong desde a imposição, em 2020, da lei de segurança nacional pela China, na sequência dos protestos pró-democracia de 2019.
Impacto no sector dos media e condenações associadas
Para além de Jimmy Lai, outras oito pessoas ligadas ao Apple Daily, incluindo antigos editores de topo, um activista e um paralegal, foram igualmente condenadas a penas de prisão entre seis e dez anos. O tribunal considerou difícil distinguir os diferentes níveis de responsabilidade, mas sublinhou que Lai merecia uma punição mais pesada devido ao seu papel central.
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Católico praticante e figura de grande visibilidade internacional, Jimmy Lai chegou a reunir-se em 2019 com altos responsáveis norte-americanos, encontros que foram citados pela acusação como prova do seu envolvimento com actores estrangeiros. A sua condenação reforça as preocupações globais sobre a erosão das liberdades civis e da liberdade de imprensa em Hong Kong.

