Isenção de portagens aumenta tráfego em mais de 20 mil veículos por dia nas ex-SCUT

A eliminação das portagens em sete autoestradas nacionais provocou um aumento médio superior a 20 mil veículos por dia nesses troços ao longo de 2025, quando comparado com o ano anterior. A medida entrou em vigor a 1 de janeiro do ano passado e teve impacto direto na mobilidade rodoviária, alterando padrões de circulação em várias regiões do país.

A eliminação das portagens
Isenção de portagens aumenta tráfego em mais de 20 mil veículos por dia nas ex-SCUT © Luís Forra/Lusa

De acordo com o Relatório e Contas de 2025 da Infraestruturas de Portugal (IP), esta alteração legislativa foi um dos principais fatores que influenciaram o crescimento do tráfego nas antigas ex-SCUT, autoestradas anteriormente sujeitas a portagem e ao princípio do utilizador-pagador.

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O aumento de circulação reflete não só uma maior utilização destas vias, mas também uma redistribuição do trânsito, com muitos condutores a optarem por percursos anteriormente evitados devido aos custos associados.

A13 e A13-1 registam os maiores crescimentos percentuais

Entre as infraestruturas analisadas, destacam-se a A13, no troço entre Marateca e Almeirim, e a A13-1, entre Condeixa-a-Nova e Coimbra, como as autoestradas que registaram os maiores aumentos percentuais de tráfego.

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A A13 apresentou um crescimento de 34,3%, enquanto a A13-1 registou uma subida ainda mais expressiva, de 45,1%, refletindo uma forte adesão dos automobilistas a estas vias após a eliminação das portagens.

Na Via do Infante, no Algarve, também se verificou um aumento significativo, com uma média adicional de 5.386 veículos por dia. Este crescimento é particularmente relevante numa região com forte pressão turística e sazonalidade elevada, onde a mobilidade rodoviária desempenha um papel essencial.

Já no Túnel do Marão e na A4 Transmontana, o aumento de tráfego foi mais moderado, fixando-se em cerca de 1,6%, o que indica um impacto menos expressivo da medida nestes corredores específicos.

Infraestruturas de Portugal regista quebra de receitas de 89,2 milhões de euros

Apesar do aumento do volume de tráfego, a isenção de portagens traduziu-se numa quebra significativa de receitas para a Infraestruturas de Portugal. Segundo o mesmo relatório, a perda associada à eliminação das portagens ascende a 89,2 milhões de euros.

Esta diminuição resulta diretamente da passagem destas autoestradas para um regime de utilização gratuita, o que eliminou uma das principais fontes de financiamento da rede rodoviária.

As antigas SCUT — Sem Custos para o Utilizador — foram durante anos alvo de debate político e económico em Portugal, precisamente pelo impacto financeiro que representavam para o Estado. A decisão de eliminar as portagens veio alterar de forma estrutural o modelo de financiamento destas infraestruturas.

Impacto na circulação e desafios futuros

O aumento do tráfego nas ex-SCUT levanta também questões relacionadas com a gestão futura da rede rodoviária, nomeadamente no que diz respeito à manutenção, segurança e capacidade de resposta ao crescimento da utilização.

Com mais veículos a circular diariamente, algumas destas autoestradas poderão enfrentar maior pressão operacional, exigindo monitorização contínua por parte das entidades responsáveis.

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Ao mesmo tempo, a redistribuição do tráfego pode ter efeitos positivos em estradas alternativas, reduzindo congestionamentos em vias anteriormente mais sobrecarregadas.

A evolução destes indicadores será determinante para avaliar o impacto global da medida a médio e longo prazo, tanto ao nível da mobilidade como da sustentabilidade financeira da rede rodoviária nacional.

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