Um homem palestiniano surdo de 67 anos, Basim Saleh Yassin, foi brutalmente agredido por dezenas de colonos israelitas mascarados na localidade de Deir Sharaf, na Cisjordânia, enquanto trabalhava num viveiro de plantas. O incidente ocorreu após os colonos atacarem outros trabalhadores do mesmo local.

Devido à sua surdez, Yassin não conseguiu ouvir os avisos para se afastar e foi atingido com bastões e pontapés, conforme mostram vídeos captados no momento do ataque. A agressão resultou em múltiplas fraturas numa mão e ferimentos no peito, costas e rosto, obrigando à sua hospitalização. Além disso, os colonos incendiaram quatro veículos que se encontravam no viveiro, causando elevados danos materiais.
Testemunhas descrevem a cena como um ato de violência deliberado e desproporcionado, enquanto serviços de emergência chegaram rapidamente ao local. A situação reforça a sensação de vulnerabilidade da população palestiniana em áreas sob forte controlo de colonos.
Contexto da Cisjordânia e crescimento de assentamentos
A Cisjordânia, embora nominalmente sob governo da Autoridade Palestiniana, está amplamente controlada por Israel, com postos militares, estradas segregadas e restrições de movimento. Apenas cerca de 17% do território é administrado pela Autoridade Palestiniana, concentrando a maioria da população palestiniana.
Os assentamentos israelitas, considerados ilegais segundo a lei internacional, têm avançado gradualmente sobre terras palestinianas, criando barreiras físicas entre cidades, vilas e aldeias e aumentando a tensão na região. Estes assentamentos, uma vez contestados por governos israelitas, receberam recentemente apoio e proteção militar da administração de Benjamin Netanyahu, tornando mais complexa qualquer resolução pacífica.
A existência de aproximadamente 500 mil colonos israelitas na Cisjordânia é um dos principais obstáculos a qualquer acordo de paz que inclua a retirada de território ocupado, semelhante à retirada israelita da Faixa de Gaza em 2005.
Liderança radical e sanções internacionais
O vídeo é da metro. Daniella Weiss, conhecida como “madrinha” do movimento de colonos em Israel, é fundadora da organização radical Nachala e ex-autarca do assentamento de Kedumim. Weiss tem desempenhado um papel central na criação e expansão de assentamentos ilegais desde a Guerra do Médio Oriente de 1967 e defende a anexação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, bem como territórios de países vizinhos como parte do chamado “Grande Israel”.
O Reino Unido sancionou Weiss, impondo congelamento de ativos, proibição de viagens e desqualificação como diretora, classificando-a como “colona extremista de alto perfil” devido à sua participação em atos de violência e incitação contra palestinianos.
Impacto humanitário e alerta internacional
O ataque a Basim Saleh Yassin evidencia a vulnerabilidade da população palestiniana, particularmente idosos e pessoas com deficiência, em áreas próximas a assentamentos israelitas. Organizações de direitos humanos têm alertado para o aumento da violência, destruição de propriedades e ataques a trabalhadores locais, reforçando a necessidade de proteção internacional e monitorização das autoridades locais.
Este episódio agrava as tensões históricas na região, recordando que os assentamentos israelitas e o controlo militar parcial da Cisjordânia continuam a ser obstáculos significativos para a paz e a segurança de comunidades palestinianas, tornando urgente o diálogo internacional e medidas que garantam a proteção de civis.

