Uma hospedeira de bordo russa, de 25 anos, foi brutalmente assassinada num hotel de cinco estrelas no Dubai, para onde se tinha mudado numa tentativa desesperada de escapar a um alegado perseguidor. O caso, que envolve perseguição prolongada, violência e uma fuga internacional, está a gerar forte comoção e reacções tanto na Rússia como no estrangeiro.

Fuga da Rússia e tentativa de reconstruir a vida no Dubai
Anastasia Nikulina era natural de São Petersburgo e trabalhava como hospedeira de bordo. Segundo relatos de amigos próximos, vivia há vários anos sob constante medo devido ao comportamento obsessivo de um homem que a perseguia, intimidava e agredia. A jovem terá manifestado diversas vezes receio de que a situação se prolongasse indefinidamente, descrevendo a sua realidade como um pesadelo sem fim.
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Numa tentativa de se afastar do alegado agressor, Anastasia decidiu procurar oportunidades profissionais fora da Rússia. O Dubai surgiu como uma possibilidade de recomeço, levando-a a viajar para os Emirados Árabes Unidos para uma entrevista de emprego com uma nova companhia aérea. A mudança representava, segundo pessoas próximas, uma esperança de segurança e estabilidade longe do ambiente de ameaça constante em que vivia.
Crime violento num hotel de cinco estrelas
A hospedeira foi encontrada morta no hotel Voco Bonnington Dubai, onde se encontrava hospedada. O corpo apresentava cerca de 15 golpes de faca no pescoço, tronco e membros, evidenciando a extrema violência do ataque. Funcionários do hotel descobriram o corpo algumas horas após o homicídio, numa poça de sangue, alertando de imediato as autoridades locais.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa russa, o agressor terá ainda despejado um líquido antisséptico sobre o corpo da vítima antes de abandonar o quarto, numa tentativa de apagar vestígios. A jovem não resistiu aos ferimentos, terminando de forma trágica a tentativa de iniciar uma nova vida no estrangeiro.
Suspeito seguiu a vítima até aos Emirados Árabes Unidos
O principal suspeito do crime é Albert Morgan, de 41 anos, um homem com antecedentes criminais, que terá alterado o apelido após cumprir uma pena de prisão de sete anos por crimes relacionados com droga. Segundo as investigações, Morgan não aceitou o afastamento da vítima e terá decidido segui-la até ao Dubai.
As autoridades indicam que o suspeito contou com a ajuda de um cúmplice, identificado como um oficial de justiça de São Petersburgo. Este terá seguido Anastasia desde o átrio do hotel para confirmar o número do quarto onde estava hospedada. Posteriormente, Morgan conseguiu entrar no quarto após enganar uma funcionária de limpeza, usando um roupão retirado da lavandaria do hotel e alegando ter esquecido a chave.
Perseguição prolongada e denúncias ignoradas
Durante quase dois anos, Anastasia Nikulina terá sido alvo de perseguição constante, agressões físicas, invasões ao seu domicílio e ameaças. Apesar de ter apresentado várias queixas às autoridades russas, a situação não terá sido resolvida de forma eficaz. Em desespero, a jovem chegou mesmo a pagar uma quantia significativa ao alegado perseguidor na esperança de que este a deixasse em paz, algo que não aconteceu.
Amigos e conhecidos referem que a vítima vivia num estado permanente de ansiedade e medo, sentindo que as medidas legais existentes não eram suficientes para a proteger.
Detenção na Rússia e possível tentativa de evitar a justiça
Após o homicídio, o suspeito regressou rapidamente à Rússia. A polícia do Dubai conseguiu identificá-lo através das câmaras de videovigilância do hotel e notificou as autoridades russas, que procederam à sua detenção em São Petersburgo.

Segundo informações avançadas pelos meios de comunicação social, antes de ser detido, Morgan terá solicitado o envio para a guerra na Ucrânia. De acordo com a legislação russa actualmente em vigor, esta é uma via utilizada por alguns acusados para evitar processos judiciais, ao alistarem-se como combatentes.
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O caso continua sob investigação, enquanto familiares, amigos e activistas alertam para a gravidade dos crimes de perseguição e para a necessidade de mecanismos mais eficazes de protecção das vítimas. A morte de Anastasia Nikulina é vista como um trágico exemplo das consequências fatais que a perseguição persistente pode ter quando não é travada atempadamente.

