Um requerente de asilo afegão foi condenado a 15 anos de prisão no Reino Unido após ter sido considerado culpado de rapto e violação de uma menina de 12 anos, num caso ocorrido no verão passado em Nuneaton, no condado de Warwickshire. O arguido, Ahmad Mulakhil, de 23 anos, foi ainda condenado por gravação de conteúdo indecente e por duas acusações de agressão sexual.

O caso provocou forte choque público e esteve associado a protestos na região, tendo gerado ampla cobertura mediática e intensa reação por parte da comunidade local.
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Tribunal descreve crime como de elevada gravidade e vítima especialmente vulnerável
Durante a leitura da sentença no Warwick Crown Court, a juíza Kristina Montgomery KC sublinhou a extrema gravidade dos crimes praticados e o impacto profundo e duradouro na vítima, destacando a sua especial vulnerabilidade.
Segundo a magistrada, o arguido terá abordado a menor num parque, tendo ambos sido vistos juntos em diferentes momentos da mesma noite. Estes encontros foram registados por câmaras de videovigilância, que permitiram reconstruir parte da sequência dos acontecimentos apresentados em tribunal.
O tribunal considerou provado que o arguido tinha conhecimento da idade da vítima, apesar de esta ter afirmado falsamente ter 19 anos durante a interação. A juíza rejeitou a versão apresentada pela defesa, considerando que o conjunto de provas demonstrava de forma clara a culpabilidade do arguido.
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Kristina Montgomery referiu ainda que a vítima sofreu consequências psicológicas significativas após o ataque, incluindo sintomas de ansiedade, hipervigilância e trauma persistente. A menor teve de recorrer a acompanhamento médico e psicológico, tendo sido igualmente submetida a exames forenses e a todo o processo judicial, incluindo testemunho em tribunal e interrogatórios em contexto de julgamento.
A magistrada descreveu o comportamento do arguido como particularmente grave, sublinhando que a vítima foi intencionalmente alvo de abordagem e exploração da sua vulnerabilidade.
Pena de prisão, registo sexual vitalício e possibilidade de deportação
Ahmad Mulakhil chegou ao Reino Unido quatro meses antes dos crimes, após ter atravessado o Canal da Mancha numa embarcação de pequena dimensão. Durante o julgamento, a defesa alegou que o arguido fugiu do Afeganistão devido a perseguição política por parte do regime talibã e que se encontrava em processo de análise do pedido de asilo.
Apesar da argumentação da defesa, o tribunal considerou provadas todas as acusações principais e aplicou uma pena de 15 anos de prisão, acrescida de mais 12 meses em liberdade sob licença após cumprimento da pena.
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Para além da prisão efetiva, o tribunal determinou ainda o registo vitalício como agressor sexual, bem como a aplicação de uma ordem de prevenção de danos sexuais e uma ordem de restrição por tempo indeterminado, impedindo o contacto com a vítima e limitando futuras interações com menores.
A juíza salientou que a duração da pena torna o arguido automaticamente elegível para deportação após o cumprimento da sentença, ficando essa decisão dependente das autoridades competentes no momento adequado.

