A greve geral realizada nesta quinta-feira, 11 de dezembro, provocou uma paralisação quase total da aviação civil em Portugal, com um forte impacto nas operações das principais companhias aéreas nacionais. De acordo com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), a adesão ao protesto foi “massiva” entre os pilotos, resultando numa operação limitada às exigências de serviços mínimos decretados pelo Governo.

Operações Reduzidas na TAP, SATA e easyJet
A TAP, a Portugália, a SATA Air Açores e a Azores Airlines ficaram restritas a operar apenas voos considerados essenciais, conforme estipulado pelas autoridades. No caso da TAP, que inicialmente tinha programados 286 voos para esta quinta-feira (243 da TAP e 43 da Portugália), apenas 63 deveriam efetivamente decolar.
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A easyJet também sofreu um forte impacto, com a adesão à greve superior a 80%, resultando na realização de apenas dois voos para além dos serviços mínimos até ao início da tarde. Este cenário reflete a grande mobilização dos pilotos, que, segundo o SPAC, manifestam uma clara oposição às mudanças propostas pelo Governo no pacote laboral “Trabalho XXI”.
Contestação ao Pacote Laboral “Trabalho XXI”
Hélder Santinhos, presidente do SPAC, afirmou que a paralisação é uma resposta direta ao pacote de medidas que considera prejudiciais aos direitos dos trabalhadores.
“A maioria dos associados entendeu que este é o momento de traçar um limite. A gravidade das medidas propostas exige uma resposta firme. Não vamos voar enquanto os direitos dos trabalhadores estiverem sob ataque”, declarou Santinhos.
Entre as principais críticas do sindicato estão a possibilidade de as convenções coletivas perderem vigor de forma mais rápida, a substituição da reintegração por indemnização nos despedimentos ilícitos e a facilitação de vínculos precários, questões que, segundo os pilotos, comprometem a estabilidade e a segurança da profissão.
Ryanair Com Menos Impacto devido a Pilotos Deslocados
Embora a greve tenha afetado severamente as operações das companhias aéreas nacionais, o impacto na Ryanair foi menor. O SPAC explica que a companhia de baixo custo não sofreu tantas interrupções porque muitos dos voos são realizados por pilotos deslocados de outras bases europeias. Segundo o sindicato, essa prática ajuda a mitigar os efeitos das greves em Portugal, mas também “mascara o descontentamento real dos trabalhadores portugueses”.
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A paralisação não é apenas uma contestação às condições de trabalho, mas uma ação para garantir a estabilidade da aviação civil em Portugal e a segurança operacional, com o SPAC a afirmar que os pilotos estão dispostos a abdicar dos seus salários para manter os aviões no solo “em defesa do futuro da profissão”. O sindicato promete manter a pressão caso o Governo avance com o pacote tal como está.

