A marcha anual do Al Quds Day, prevista para decorrer no próximo domingo no centro de Londres, foi oficialmente proibida pelo Governo britânico devido ao risco de distúrbios públicos graves. A decisão foi tomada pela secretária do Interior, Shabana Mahmood, após um pedido da Polícia Metropolitana.

Segundo a responsável, a proibição foi considerada necessária devido à dimensão do protesto e à previsão de várias manifestações de oposição no mesmo dia. O contexto internacional marcado pelo conflito em curso no Médio Oriente também contribuiu para a decisão.
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Em comunicado, Mahmood afirmou estar convencida de que a medida é essencial para evitar confrontos e preservar a ordem pública. Ainda assim, destacou que, caso ocorra uma manifestação estática, as autoridades poderão impor condições rigorosas para garantir a segurança.
A secretária do Interior acrescentou ainda que espera uma aplicação rigorosa da lei contra qualquer tentativa de promover discursos de ódio ou divisão durante eventuais protestos.
Tensão política e críticas à decisão
A marcha tem sido alvo de críticas devido à alegada proximidade dos organizadores ao regime iraniano. A organização responsável pelo evento, a Islamic Human Rights Commission (IHRC), já manifestou apoio ao antigo líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, morto num ataque aéreo conjunto dos Estados Unidos e de Israel no mês passado.
A IHRC condenou a decisão do Governo britânico e anunciou que está a procurar aconselhamento jurídico. A organização classificou a medida como uma decisão politicamente motivada e confirmou que pretende realizar uma manifestação estática no domingo.
Num comunicado publicado no seu site, o grupo afirmou que a polícia abandonou o princípio de atuar sem favoritismo e argumentou que não existem provas concretas que justifiquem a proibição da marcha.
O porta-voz da organização, Faisal Bodi, afirmou que a decisão representa “um dia triste para a liberdade de expressão e para o direito de reunião”, sublinhando que o protesto tem sido realizado de forma pacífica há cerca de 40 anos.
We are hearing that the ‘Al Quds Day’ march has been banned. We will now watch to see whether the organisers try to hold a different kind of event in its stead.
— Campaign Against Antisemitism (@antisemitism) March 10, 2026
This is a positive development and a move that CAA and others, including a number of MPs, have been calling for.… pic.twitter.com/mATFPY2sIh
Polícia alerta para riscos de confrontos
A Polícia Metropolitana justificou a proibição com base numa avaliação de risco específica para este ano. De acordo com as autoridades, as edições anteriores da marcha resultaram em detenções relacionadas com apoio a organizações terroristas e crimes de ódio antissemitas.
A polícia destacou ainda que a atual situação internacional torna o cenário “excecionalmente complexo”, especialmente devido às várias contramanifestações planeadas.
O antigo superintendente da Polícia Metropolitana, Dal Babu, afirmou que gerir a segurança do evento seria extremamente difícil. Segundo o responsável, diferentes grupos pretendiam protestar no mesmo local, incluindo manifestantes críticos do regime iraniano e organizações judaicas.
A última vez que uma marcha foi proibida em Londres ocorreu em 2012, o que demonstra o caráter raro e significativo desta decisão.
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Entretanto, a proibição foi saudada por algumas organizações e figuras políticas britânicas. A organização Campaign Against Antisemitism considerou a medida um desenvolvimento positivo, defendendo que permitir o protesto poderia incentivar discursos de ódio.
Ao mesmo tempo, deputados tanto do Partido Trabalhista como do Partido Conservador tinham apelado ao cancelamento da marcha, alegando que não deveria haver espaço no país para manifestações associadas ao apoio a grupos extremistas.

