Gerente foge com dinheiro após incêndio mortal na Suíça

A investigação sobre o trágico incêndio ocorrido na noite de passagem de ano, no bar “Le Constellation”, em Crans-Montana, na Suíça, continua a revelar detalhes alarmantes sobre o comportamento da gerente do estabelecimento, Jessica Moretti.

Gerente foge com dinheiro após incêndio mortal na Suíça
Gerente foge com dinheiro após incêndio mortal na Suíça © AFP

De acordo com o jornal italiano La Repubblica, a proprietária do bar terá deixado o local com o dinheiro da caixa registadora, mesmo enquanto a casa estava repleta de clientes em pânico tentando escapar das chamas. Segundo as autoridades, Jessica Moretti apagou ainda as contas do bar nas redes sociais, como o Facebook e o Instagram, durante a noite do incêndio, quando os serviços de emergência ainda estavam a tentar socorrer as vítimas.

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As investigações estão agora focadas em apurar a responsabilidade dos proprietários do bar, Jessica e seu marido Jacques, que não se encontrava no local no momento da tragédia. Ambos estão sob investigação por homicídio involuntário, fogo posto por negligência e agressão corporal aos clientes feridos. Através de vídeos capturados por clientes e imagens de câmaras de segurança, as autoridades esperam reconstruir os acontecimentos daquela fatídica noite.

Tragédia desencadeada por negligência nas medidas de segurança

O incêndio, que causou a morte a 40 pessoas e ferimentos em outras 116, terá sido originado por uma combinação de fatores, incluindo a desrespeito às normas de segurança. De acordo com a investigação, o fogo terá começado quando alguns clientes, em celebração ao Ano Novo, acenderam foguetes de champanhe, que incendiou a espuma de isolamento acústico no teto da cave do bar. A questão da segurança no local tem sido um ponto central na investigação, com os procuradores a questionarem se as obras realizadas pelo casal em 2015 cumpriram as normas de segurança contra incêndios e se os materiais utilizados eram adequados.

Além disso, as autoridades municipais de Crans-Montana admitiram que não foram realizadas inspeções de segurança no bar desde 2019, o que agrava ainda mais a suspeita de negligência. Em relação ao local do incêndio, a simulação de um engenheiro do Corpo de Bombeiros de Ragusa, em Itália, indicou que as temperaturas no interior do bar atingiram os 1200 graus, mas baixaram para 600 graus devido à falta de oxigénio. A simulação revelou que, durante dois minutos, as condições na sala foram suportáveis, o que fez com que muitos dos clientes continuassem a filmar as chamas sem perceberem a gravidade da situação.

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Vítima portuguesa entre os mortos

Entre as vítimas mortais do incêndio, encontra-se Fany Pinheiro Magalhães, uma jovem portuguesa de 22 anos, natural de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro. A professora, que recentemente se formou, residia com a família na cidade suíça de Crans-Montana. O carro da jovem foi encontrado estacionado junto ao bar destruído pelas chamas, e o seu telemóvel estava incontactável. Os pais de Fany, que têm um pequeno negócio na região, aguardam agora mais informações sobre a morte da filha, que representa a única vítima mortal portuguesa do desastre.

A tragédia, que abalou a cidade suíça e gerou uma onda de consternação, continua a ser alvo de uma investigação profunda para apurar as causas do incêndio e as responsabilidades dos envolvidos. O casal Moretti, que tem a gestão do estabelecimento, garantiu, através de uma declaração pública, que se encontra “devastado” e disposto a colaborar com as autoridades para esclarecer os acontecimentos daquela noite.

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