A Galp registou um lucro ajustado de 272 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma subida de 41% face ao período homólogo. Este crescimento foi sustentado, sobretudo, pelo aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil.

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Entre janeiro e março, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) também avançou 41%, atingindo 943 milhões de euros, segundo informação divulgada pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
A unidade de negócio de exploração e produção (‘upstream’) foi responsável por cerca de 73% do EBITDA total, com um crescimento de 78%. Este desempenho beneficiou do aumento de 23% na produção de petróleo e gás natural, bem como da valorização da cotação média do Brent.
O arranque da produção no projeto Campo de Bacalhau, no Brasil, onde a Galp detém uma participação de 20%, revelou-se determinante. A produção média diária atingiu 129 mil barris no primeiro trimestre de 2026, acima dos 104 mil barris registados no mesmo período do ano anterior. Já o preço médio do Brent subiu 7%, fixando-se nos 81,1 dólares por barril.
Desempenho operacional e impacto dos mercados internacionais
A co-CEO da empresa, Maria João Carioca, destacou a solidez do arranque do ano, sublinhando a resiliência dos ativos e a disciplina operacional, mesmo num contexto de elevada volatilidade e incerteza global.
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A responsável salientou ainda a capacidade da empresa em assegurar o abastecimento energético em momentos críticos, como as tempestades no início do ano e as perturbações nas cadeias de abastecimento provocadas pelo bloqueio do estreito de Ormuz.
No segmento Industrial & Midstream, a refinaria de Sines beneficiou da recuperação das margens internacionais de refinação a partir de março, após uma paragem programada de 50 dias, a maior da sua história. Ainda assim, o EBITDA desta unidade recuou 9%, para 198 milhões de euros, penalizado pelo efeito contabilístico conhecido como time lag, que teve um impacto negativo de cerca de 130 milhões de euros.
Este efeito resultou numa contribuição nula das atividades no mercado nacional para o resultado líquido ajustado, sendo a atividade internacional a assegurar a totalidade do EBITDA do grupo.
Investimento e crescimento nas energias renováveis
Os resultados líquidos segundo as normas internacionais (IFRS) traduziram-se em prejuízos de 111 milhões de euros, devido à variação na valorização de instrumentos derivados utilizados para cobertura de risco.
Nas restantes áreas, a Galp registou um crescimento de 37% no EBITDA do segmento Comercial, para 84 milhões de euros, impulsionado pelo mercado empresarial em Espanha. Já no segmento das energias renováveis, as vendas de energia aumentaram 21%, refletindo o reforço da capacidade instalada na Península Ibérica.
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Até março, o investimento total ascendeu a 201 milhões de euros, abaixo dos 295 milhões registados no mesmo período de 2025, devido à redução das necessidades de capital nos projetos de ‘upstream’.
Por outro lado, os investimentos em projetos industriais de biocombustíveis avançados, como SAF e HVO, e em hidrogénio verde, ambos em Sines e considerados pioneiros na Europa, cresceram 17% em termos homólogos, atingindo 51 milhões de euros.

