Um funcionário da cadeia de supermercados Waitrose foi despedido após tentar impedir um furto de chocolates de Páscoa numa loja em Clapham Junction, no sul de Londres.

Walker Smith, de 54 anos, exercia funções como assistente de loja há 17 anos, quando decidiu intervir ao aperceber-se de que um indivíduo estava a roubar vários chocolates Lindt, nomeadamente figuras “Gold Bunny”, um produto sazonal associado à época pascal.
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De acordo com o próprio, a situação ocorreu durante o desempenho das suas funções habituais, após ter sido alertado por um cliente para um alegado furto. Ao localizar o suspeito — que afirmou reconhecer como reincidente —, tentou impedir a sua fuga, agarrando o saco onde se encontravam os produtos. Seguiu-se um breve confronto físico, durante o qual o saco se rasgou, fazendo com que os chocolates caíssem no chão.
O suspeito conseguiu abandonar o local. Num gesto descrito como de frustração, Walker Smith atirou um pedaço de chocolate na direção de carrinhos de compras próximos.
Apesar de ter posteriormente pedido desculpa à chefia, o trabalhador foi alvo de um processo disciplinar por violar as diretrizes internas da empresa, que proíbem expressamente os funcionários de confrontarem suspeitos de furto, por razões de segurança. Após uma reunião com responsáveis da loja, o vínculo laboral foi cessado.
O ex-funcionário afirmou que tentou sensibilizar a empresa para a sua situação, referindo o seu longo historial profissional e o apego ao local de trabalho, que descreveu como uma “família”. Revelou ainda que a forma como foi conduzido para fora das instalações, pela porta traseira, contribuiu para um sentimento de desvalorização e humilhação.
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Aumento do furto no retalho intensifica pressão sobre trabalhadores e empresas
Walker Smith justificou a sua decisão com o desgaste acumulado ao longo dos últimos anos, alegando que os furtos se tornaram recorrentes e visíveis no dia a dia da loja. Segundo relatou, os episódios envolvem diferentes perfis de indivíduos, desde jovens a pessoas com dependências, e ocorrem com frequência significativa.
O ex-funcionário afirmou também que, na sua perspetiva, a redução de medidas de segurança em determinados dias da semana — nomeadamente a ausência de vigilantes — poderá ter contribuído para o agravamento do problema, associando essa decisão à subnotificação de incidentes.
Dados recentes indicam que o furto no comércio atingiu níveis elevados no Reino Unido, com mais de 530 mil ocorrências registadas no ano terminado em março de 2025, o valor mais alto das últimas duas décadas. No entanto, associações do setor alertam que o número real poderá ser substancialmente superior devido à falta de denúncias formais, apontando para cerca de 5,8 milhões de incidentes anuais.
O fenómeno tem suscitado preocupação crescente entre empresas e representantes dos trabalhadores. Responsáveis do setor do retalho defendem a necessidade de reforçar medidas de combate ao crime, sublinhando que os furtos se tornaram mais frequentes, organizados e, em alguns casos, agressivos.
Por sua vez, sindicatos alertam para o impacto direto sobre os trabalhadores, que enfrentam níveis considerados inaceitáveis de risco e pressão no exercício das suas funções.
Empresa defende políticas de segurança e cumprimento de regras internas
Em resposta ao caso, a Waitrose reiterou que a segurança de clientes e funcionários constitui uma prioridade, sublinhando que existem políticas internas claras que todos os colaboradores devem cumprir.
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A empresa garantiu ainda que os níveis de vigilância nas lojas são ajustados de forma contínua, tendo em conta o risco identificado em cada unidade.
O caso levanta, assim, questões sobre o equilíbrio entre o cumprimento de normas de segurança empresarial e a crescente pressão sentida pelos trabalhadores perante o aumento do furto no setor do retalho.

