Família acusada de liderar esquema de burla com MB Way que fez 84 vítimas em Portugal

Um grupo familiar constituído por cerca de 40 pessoas está a ser acusado pelo Ministério Público (MP) de Évora de integrar um esquema de burlas através da aplicação MB Way, que terá feito pelo menos 84 vítimas em diferentes regiões de Portugal ao longo de apenas seis meses.

acusado pelo Ministério Público
Família acusada de liderar esquema de burla com MB Way que fez 84 vítimas em Portugal © Leonel de Castro

Segundo a acusação, os suspeitos, quase todos familiares entre si, residem sobretudo em Campo Maior e Elvas, no distrito de Portalegre. As idades dos arguidos variam entre os 23 e os 62 anos.

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O grupo terá conseguido obter dezenas de milhares de euros através de alegadas práticas fraudulentas relacionadas com operações bancárias digitais e pagamentos eletrónicos. O processo judicial aponta para a existência de uma atuação organizada e continuada, envolvendo vários elementos com diferentes funções dentro do esquema.

Os arguidos foram acusados de crimes de falsidade informática, burla informática e acesso ilegítimo, permanecendo agora à espera de julgamento.

Como funcionava o alegado “Esquema MB Way”

De acordo com a investigação conduzida pelas autoridades, o grupo utilizava o conhecido “Esquema MB Way”, uma das fraudes digitais mais recorrentes em Portugal nos últimos anos.

O método é frequentemente utilizado em plataformas de compra e venda online, onde os burlões entram em contacto com potenciais vítimas sob o pretexto de efetuar pagamentos por produtos anunciados na internet.

Durante a conversa, os suspeitos convenciam as vítimas a realizar procedimentos nos caixas multibanco ou na aplicação MB Way, alegando tratar-se de passos necessários para receber dinheiro. No entanto, as instruções dadas permitiam, na realidade, associar o número de telemóvel das vítimas a contas controladas pelos burlões.

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Após obterem esse acesso, os suspeitos conseguiam movimentar dinheiro, efetuar transferências bancárias, realizar compras e levantar montantes sem autorização dos titulares legítimos das contas.

As autoridades acreditam que o esquema terá sido aplicado de forma repetida e coordenada, atingindo vítimas em vários pontos do país.

Investigação identificou dezenas de vítimas em todo o território nacional

O Ministério Público refere que o esquema criminoso terá lesado pelo menos 84 pessoas, embora não seja excluída a possibilidade de existirem mais vítimas ainda por identificar.

A investigação permitiu rastrear operações financeiras suspeitas e identificar ligações entre os vários arguidos, muitos dos quais pertencem à mesma família ou ao mesmo círculo de convivência.

Os suspeitos terão atuado a partir do Alentejo, mas os efeitos das burlas estenderam-se a diferentes distritos portugueses, aproveitando a crescente utilização de plataformas digitais de pagamento e comércio online.

O caso evidencia também a sofisticação crescente das burlas informáticas em Portugal, sobretudo aquelas relacionadas com aplicações móveis de pagamentos instantâneos.

Autoridades reforçam alertas sobre fraudes digitais

Nos últimos anos, as autoridades portuguesas têm intensificado os alertas relacionados com fraudes através do MB Way e outras plataformas digitais. A Polícia Judiciária e várias instituições bancárias têm apelado aos utilizadores para nunca seguirem instruções dadas por desconhecidos durante operações multibanco ou chamadas telefónicas.

Especialistas em cibersegurança sublinham que muitos destes esquemas exploram a falta de conhecimento técnico das vítimas e recorrem a técnicas de manipulação psicológica para criar um falso sentimento de confiança e urgência.

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As recomendações passam por nunca partilhar códigos de acesso, confirmar sempre a identidade de quem solicita operações bancárias e desconfiar de contactos inesperados relacionados com pagamentos online.

O processo encontra-se agora em fase judicial, aguardando a marcação do julgamento dos cerca de 40 arguidos envolvidos no caso.

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