A Comissão Europeia identificou várias “deficiências graves” no controlo de segurança de fronteiras no aeroporto de Lisboa, após uma avaliação sem aviso prévio realizada entre 15 e 17 de dezembro. As conclusões do relatório levaram o Governo português a adotar medidas urgentes, incluindo a suspensão temporária do controlo de cidadãos extracomunitários durante três meses, numa tentativa de corrigir as falhas detetadas e reduzir os constrangimentos registados.

Inspeção europeia revela falhas estruturais e operacionais
De acordo com o Diário de Notícias, que teve acesso a um documento enviado pelo gabinete da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) a vários ministérios e forças de segurança, a equipa técnica de Bruxelas identificou problemas significativos na qualidade dos controlos de fronteira de primeira e segunda linha.
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O relatório destaca a existência de longas filas, tempos de espera excessivos e uma utilização recorrente de procedimentos simplificados, aplicados sem comunicação prévia à Comissão Europeia. Entre as observações mais críticas está a referência a uma “ausência de controlos de saída” em determinados períodos no posto de passagem de fronteira do Aeroporto Humberto Delgado, situação considerada incompatível com as normas de segurança e controlo do espaço Schengen.
Os peritos sublinham ainda que a pressão operacional, aliada à falta de recursos humanos suficientes, tem comprometido a eficácia do sistema de controlo fronteiriço no principal aeroporto do país.
Medidas imediatas e reforço da presença policial
Face às conclusões da avaliação, a Comissão Europeia exigiu a adoção imediata de medidas corretivas. Em resposta, o Ministério da Administração Interna (MAI) determinou a suspensão temporária do sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários no aeroporto de Lisboa, por um período de três meses.
Paralelamente, foi reforçada a presença de militares da GNR, com o objetivo de apoiar as operações de segurança e minimizar os constrangimentos nos controlos de fronteira. O Governo comprometeu-se ainda a implementar ajustes operacionais e a melhorar a articulação entre as diferentes entidades responsáveis pela gestão do aeroporto.
A Comissão Europeia deverá realizar uma nova avaliação à infraestrutura aeroportuária no início do próximo ano, de modo a verificar se as medidas adotadas permitiram ultrapassar as deficiências identificadas.
Novo sistema europeu na origem dos constrangimentos
Em dezembro, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, admitiu publicamente que as filas no aeroporto de Lisboa representam um “embaraço para o Governo”, assegurando que a situação deverá estar normalizada até ao verão.
Segundo o Executivo, os constrangimentos estão relacionados com a entrada em funcionamento, em outubro, do novo sistema europeu de registo de entradas e saídas de cidadãos de países terceiros. Este sistema passou a registar eletronicamente a data, a hora e o local de entrada e saída dos viajantes, substituindo os tradicionais carimbos nos passaportes, o que aumentou o tempo necessário para cada controlo.
Críticas da oposição e impacto na imagem do país
O caso motivou fortes críticas políticas. O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, acusou o Governo de “impreparação e incompetência”, afirmando que a situação demonstra “o falhanço no planeamento da resposta ao pico da procura” no principal aeroporto nacional.
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Especialistas em aviação e turismo alertam ainda para o impacto negativo destes problemas na imagem internacional de Portugal, sublinhando que atrasos prolongados e falhas no controlo de fronteiras podem afetar a experiência dos passageiros e a competitividade do aeroporto de Lisboa num período de elevada pressão turística.
O Governo garante que as medidas agora implementadas são transitórias e que está a trabalhar numa solução estrutural que permita garantir segurança, eficiência e fluidez nos controlos fronteiriços, em conformidade com as exigências da União Europeia.

