EUA querem vigiar redes sociais de turistas: impacto bilionário

A proposta do governo dos Estados Unidos de monitorizar as redes sociais dos turistas gerou preocupação no setor de viagens, com especialistas a alertarem para as consequências económicas graves da medida. De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a política pode resultar em perdas de bilhões de dólares e afetar a criação de empregos no país.

Us customs border protection
EUA querem vigiar redes sociais de turistas: impacto bilionário © AP

Medida pode reduzir o gasto turístico e afetar o emprego

Uma sondagem recente realizada em vários países revelou que cerca de um terço dos viajantes internacionais consideram menos provável a sua visita aos Estados Unidos caso a proposta de monitorização das redes sociais seja implementada. A pesquisa sugere que, se a medida for adotada, o gasto com turismo pode cair em até 15 bilhões de dólares (aproximadamente 10,8 bilhões de libras), afetando diretamente cerca de 157.000 empregos no setor.

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A proposta, avançada pelo Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), sugere a recolha de informações sobre redes sociais dos últimos cinco anos de turistas provenientes de países que possam viajar sem visto, através do Sistema Eletrónico de Autorização de Viagem (ESTA). Além disso, será solicitado um conjunto mais abrangente de dados, como números de telefone e endereços de e-mail utilizados pelos visitantes durante este período.

Impacto económico e receios sobre a privacidade

O WTTC, que encomendou a pesquisa, conclui que, se implementada, a política poderá afetar de forma substancial o turismo nos Estados Unidos, um dos principais motores da economia americana. A organização destacou que, mesmo pequenas mudanças no comportamento dos turistas, desencorajados pelas novas exigências, terão impactos econômicos significativos, especialmente num mercado global altamente competitivo.

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, destacou que “a segurança nas fronteiras dos EUA é essencial, mas as mudanças propostas podem prejudicar a criação de empregos, algo que o governo norte-americano valoriza tanto.” Segundo Guevara, mais de 150.000 postos de trabalho poderiam ser perdidos se a política for avançada. Este número corresponde à quantidade de empregos normalmente criados a cada trimestre no país.

Além do impacto económico, a proposta gerou preocupações junto de defensores dos direitos civis e da liberdade de expressão, que temem que a medida possa ser usada para monitorizar e prejudicar aqueles que criticam o governo.

Reações do governo e futuro do turismo nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a medida, afirmando que “queremos segurança, queremos garantir que não estamos a permitir a entrada de pessoas erradas no nosso país”. Contudo, o governo não especificou o que exatamente será analisado nas contas de redes sociais dos turistas nem os critérios para a recolha de informações adicionais.

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De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, em março de 2025, as chegadas de turistas internacionais aos Estados Unidos totalizaram aproximadamente 5,4 milhões, o que representa cerca de 86,4% do volume de visitantes registado no mesmo mês de 2019. Este número revela que o turismo internacional ainda não recuperou totalmente os níveis pré-pandemia, e mudanças nas políticas poderiam afetar ainda mais esse setor.

O WTTC apelou a uma avaliação cuidadosa da medida por parte dos responsáveis políticos, destacando a importância do turismo para a economia dos Estados Unidos e a criação de empregos, além da sua contribuição para a conectividade internacional.

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