Os Estados Unidos estão a pressionar os aliados europeus a reforçar significativamente as suas capacidades militares no seio da NATO, alertando que o continente continua longe de conseguir assegurar a própria defesa face à Rússia.

Elbridge Colby, principal estratega militar norte-americano, afirmou esta semana, perante ministros da Defesa europeus, que os países da Aliança Atlântica precisam de aumentar os seus orçamentos militares para reduzir a dependência de Washington.
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“É tempo de avançarmos juntos, de forma pragmática, com uma NATO baseada na parceria e não na dependência”, declarou Colby, numa intervenção marcada por um tom de urgência.
O apelo surge num contexto de intensificação de ataques encobertos e ações de sabotagem atribuídas à Rússia em vários países europeus. Ao mesmo tempo, a anterior administração norte-americana já tinha anunciado planos para reduzir o número de tropas destacadas no flanco oriental da NATO, reacendendo dúvidas sobre a capacidade europeia de resposta caso os EUA optem por um afastamento mais profundo.
Especialistas alertam: Europa ainda não consegue substituir os EUA
Analistas em segurança internacional sublinham que a Europa não dispõe, neste momento, dos meios necessários para substituir o papel dos Estados Unidos na arquitetura defensiva da NATO.
Keir Giles, especialista em assuntos russos do Chatham House, considera que o continente precisaria de tempo considerável para atingir um nível de capacidade comparável. Segundo o analista, uma retirada súbita do apoio militar norte-americano deixaria a Europa com lacunas significativas na sua defesa, potencialmente expondo-a a riscos acrescidos.
Para dissuadir Moscovo, Giles defende que a Europa terá de se tornar mais forte do que a Rússia em áreas estratégicas-chave, lembrando que, do ponto de vista do Kremlin, “toda a Europa é uma linha da frente”.
Guerra híbrida russa e fragilidades na resposta europeia
Para além das limitações militares convencionais, especialistas apontam falhas na capacidade europeia de enfrentar a chamada guerra híbrida russa. Sergei Cristo, jornalista e analista de origem russa radicado no Reino Unido, destaca que a estratégia militar de Moscovo privilegia meios encobertos, como interferência política, operações de inteligência e manipulação eleitoral, em detrimento da confrontação militar direta.

Segundo Cristo, a Europa não tem acompanhado adequadamente esta evolução estratégica. Recorda ainda que, há poucos anos, responsáveis lituanos já alertavam para a possibilidade de um conflito com a Rússia em 2026. Contudo, só recentemente a União Europeia intensificou discussões sobre aquisições conjuntas de armamento e reforço da cooperação em defesa.
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O analista antecipa igualmente um aumento da interferência política russa no Reino Unido e noutros países europeus nos próximos anos, com o objetivo de fragilizar governos ocidentais através do apoio a forças populistas de extrema-direita.
Sabotagem e tensão crescente na Europa
Investigações recentes documentam o aumento da frequência e gravidade de ações atribuídas ao Kremlin, no âmbito de uma estratégia de “guerra híbrida”. Entre os incidentes registados contam-se explosivos colocados em linhas ferroviárias, encomendas explosivas e incêndios em armazéns. Moscovo nega qualquer envolvimento.
Um alto responsável europeu dos serviços de informação afirmou que a resposta às ameaças exige uma operação permanente e coordenada entre diferentes agências de segurança.

