EUA acusam formalmente Raúl Castro por ataque aéreo de 1996

Os Estados Unidos formalizaram acusações criminais contra Raúl Castro, antigo presidente cubano e irmão de Fidel Castro, pelo alegado envolvimento no abate de duas aeronaves civis ocorrido em 1996. O caso, que voltou a intensificar as tensões entre Washington e Havana, resultou na morte de quatro pessoas, entre elas três cidadãos norte-americanos.

Raul castro
EUA acusam formalmente Raúl Castro por ataque aéreo de 1996 © Reuters/Norlys Perez

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Segundo informações avançadas pela agência Reuters, a acusação inclui crimes de homicídio, conspiração para matar cidadãos dos Estados Unidos e destruição de aeronaves. Os aviões pertenciam à organização de voluntários “Hermanos al Rescate”, sediada em Miami e conhecida pelas missões de apoio a refugiados cubanos.

Ataque de 1996 reacende conflito diplomático entre EUA e Cuba

O episódio ocorreu há cerca de três décadas, quando as aeronaves da organização foram abatidas durante uma operação sobre o estreito da Florida. As autoridades norte-americanas alegam que Raúl Castro teve um papel direto na ação militar que culminou na morte dos tripulantes.

A decisão surge num contexto de crescente pressão da administração de Donald Trump sobre o regime cubano. O atual chefe de Estado norte-americano tem reforçado a retórica contra Havana, defendendo uma postura mais agressiva em relação ao Governo comunista da ilha.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, Donald Trump afirmou que “os EUA não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilómetros” do território norte-americano.

Governo cubano rejeita acusações e denuncia motivação política

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou duramente a acusação norte-americana, considerando-a uma medida política sem sustentação legal.

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De acordo com o líder cubano, a iniciativa pretende “justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba”. Havana continua a negar qualquer ameaça à segurança dos Estados Unidos, apesar do agravamento das relações diplomáticas entre os dois países.

As tensões entre Washington e Cuba remontam à Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, quando o novo regime estabeleceu uma aliança com a antiga União Soviética e nacionalizou empresas e propriedades pertencentes a cidadãos norte-americanos. Desde então, os EUA mantêm um embargo económico sobre a ilha.

Cuba enfrenta crise económica e instabilidade interna

Durante o período em que esteve no poder, entre 2011 e 2021, Raúl Castro manteve a orientação política comunista implementada pelo irmão. Atualmente, o ex-governante encontra-se em paradeiro incerto desde o início do mês, segundo fontes internacionais.

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Entretanto, Cuba continua a enfrentar uma profunda crise económica e social. A escassez de combustível tem provocado cortes frequentes de energia elétrica, além de dificuldades no acesso e conservação de alimentos para a população, estimada em cerca de dez milhões de habitantes.

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