O empresário Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit, passou a integrar a lista vermelha da Interpol após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a sua prisão preventiva no âmbito de uma investigação sobre alegados crimes financeiros e fiscais ligados ao sector dos combustíveis. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que também permitiu à Polícia Federal solicitar a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha (Red Notice), mecanismo internacional utilizado para localizar e deter foragidos.

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A operação foi desencadeada na sexta-feira, 15 de maio, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e o afastamento de funções públicas de vários investigados. Segundo as autoridades brasileiras, Ricardo Magro reside nos Estados Unidos e não regressa oficialmente ao Brasil desde 2018.
As informações foram divulgadas pela BBC News Brasil.
Investigação aponta fraudes fiscais e ocultação de património
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal, Ricardo Magro é apontado como o principal responsável por uma alegada estrutura criminosa ligada ao Grupo Refit. As autoridades atribuem ao conglomerado práticas como gestão fraudulenta, branqueamento de capitais, evasão de divisas, sonegação fiscal e crimes contra a ordem económica no mercado de combustíveis.
A decisão judicial descreve a existência de uma complexa engenharia financeira e societária destinada a ocultar património, dificultar a actuação das autoridades fiscais e impedir a cobrança de dívidas tributárias. Entre os mecanismos identificados estariam a criação de empresas offshore em paraísos fiscais e a aquisição de imóveis através dessas estruturas internacionais.
Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), as empresas e pessoas ligadas ao Grupo Refit acumulam um passivo estimado em 52 mil milhões de reais junto da União, estados e Distrito Federal. Desse montante, cerca de 48,8 mil milhões de reais estariam concentrados na própria Refit.
A Receita Federal classifica o grupo como o maior “devedor contumaz” do país — expressão utilizada para definir contribuintes que deixam de pagar impostos de forma sistemática e intencional para obter vantagem competitiva.
Ligações políticas e investigações sobre o PCC ampliam o caso
A operação também envolveu buscas em endereços ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A investigação menciona ainda uma legislação estadual apelidada informalmente de “Lei Ricardo Magro”, por alegadamente beneficiar interesses do grupo empresarial através de condições especiais de parcelamento tributário.
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Nos últimos anos, o nome de Ricardo Magro passou a surgir em diferentes investigações federais. Uma delas, denominada Carbono Oculto, apura uma possível ligação entre a chamada “máfia dos combustíveis” e o Primeiro Comando da Capital (PCC). As autoridades suspeitam que empresas ligadas à Refit tenham fornecido combustíveis a grupos associados à organização criminosa. O grupo negou qualquer envolvimento.
Outra operação, baptizada Poço de Lobato, investiga um alegado esquema de fraude fiscal na importação de combustíveis e derivados. Segundo os investigadores, empresas de fachada teriam sido utilizadas para reduzir ilegalmente o pagamento de impostos através de declarações fraudulentas de produtos importados.
As investigações indicam ainda que empresas financeiras ligadas ao grupo movimentaram cerca de 72 mil milhões de reais em menos de um ano, numa estrutura que teria servido para ocultar o rasto financeiro das operações.
Quem é Ricardo Magro
Ricardo Magro, de 52 anos, é advogado e empresário do sector dos combustíveis. Nascido no Rio de Janeiro e criado em São Paulo, passou a liderar a Refinaria de Manguinhos em 2008, considerada uma das primeiras refinarias privadas do Brasil.
Conhecido por manter um perfil discreto, Magro ganhou notoriedade pública em 2016, quando foi alvo da Operação Recomeço, relacionada com suspeitas de desvios em fundos de pensão estatais. Na altura, surgiram informações sobre a sua proximidade ao então deputado Eduardo Cunha. Apesar de ter sido detido preventivamente naquele processo, acabou posteriormente absolvido.
A partir desse período, passou a dividir os seus negócios entre o estado da Florida, nos Estados Unidos, e Portugal, país de onde a sua família é originária. Documentos oficiais norte-americanos apontam a sua participação em várias empresas registadas no estado da Florida.
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O empresário voltou ao centro das atenções políticas em 2025, quando o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva passou a referir-se publicamente ao caso como exemplo do combate ao crime organizado e à fraude fiscal internacional.
Até ao momento, a defesa de Ricardo Magro não se pronunciou oficialmente sobre a nova decisão do STF.

