Emails de Epstein elogiam Bolsonaro e citam Lula e Chomsky

Novos emails atribuídos a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais nos Estados Unidos e falecido em 2019, revelam elogios ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. As mensagens foram trocadas com Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump e estrategista político, e datam de 2018, período em que Bolsonaro se preparava para as eleições presidenciais.

 Jair Bolsonaro
Emails de Epstein elogiam Bolsonaro e citam Lula e Chomsky © Pablo Porciuncula/AFP

Numa mensagem de 8 de outubro de 2018, Epstein escreve: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”. Bannon responde que estava próximo do núcleo de Bolsonaro e pergunta se deveria assumir um papel de conselheiro junto do ex-presidente brasileiro. Epstein responde: “É o argumento ‘reino no inferno’ outra vez”.

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Os emails discutem ainda a possibilidade de Bannon se deslocar ao Brasil para apoiar Bolsonaro, com Epstein sugerindo que a presença do estrategista poderia ser positiva para a sua marca pessoal caso Bolsonaro vencesse as eleições.

Relação com Eduardo Bolsonaro e postura de Bannon

Num outro trecho, Epstein critica Bolsonaro por ter desmentido ligações a Bannon, considerando “fake news” a associação entre ambos. Na altura, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, declarou que Bannon estaria disponível para colaborar com a família. Bolsonaro rejeitou publicamente qualquer parceria.

Bannon comenta que precisa manter Bolsonaro “nos bastidores”, explicando que o seu poder decorre de não ter aliados a defendê-lo, revelando uma estratégia de influência política discreta junto do ex-presidente brasileiro.

Referências a Lula e Noam Chomsky

Os emails contêm também menções ao ex-presidente Lula e ao linguista Noam Chomsky, ambos citados por Epstein. Em conselho a Bannon, Epstein sugere cautela ao discutir Bolsonaro durante encontros com Chomsky, lembrando que a esposa do linguista é brasileira e que Chomsky e Lula mantêm relações de amizade.

Em mensagens de dezembro de 2018, Chomsky descreve Lula como “o prisioneiro político mais importante do mundo” e relata a sua visita ao ex-presidente enquanto este estava detido, qualificando o episódio como “muito triste” e enquadrado no que descreve como “golpe da direita”. Na altura, tanto o Palácio do Planalto quanto a família de Chomsky negaram qualquer contacto telefónico entre Chomsky e Lula, bem como qualquer ligação direta com Epstein.

Implicações políticas e diplomáticas

A divulgação destes emails lança luz sobre estratégias de influência política internacional e sobre os contactos informais de figuras controversas com líderes políticos emergentes. A troca de mensagens revela o interesse de Epstein em figuras políticas globais e a tentativa de posicionar aliados estratégicos em governos com agendas alinhadas aos seus interesses.

Analistas políticos apontam que o conteúdo destes emails evidencia a complexidade das relações entre Estados, consultores e figuras privadas com grande poder económico, sugerindo que os desdobramentos destas trocas podem ter impacto em percepções públicas e debates sobre ética e influência política.

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Contexto histórico e divulgação dos arquivos

Os documentos fazem parte de uma série de arquivos divulgados recentemente relacionados com Jeffrey Epstein, que continua a gerar interesse mediático global devido às suas conexões com líderes políticos, intelectuais e celebridades. A informação obtida permite uma análise detalhada de estratégias de networking e influência utilizadas por Epstein, incluindo contatos com figuras da política brasileira e internacional.

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