Um antigo anestesiologista francês foi condenado a prisão perpétua por envenenar deliberadamente pacientes em contexto hospitalar, crimes que resultaram na morte de 12 pessoas e afectaram, no total, 30 vítimas, entre crianças e adultos. Frédéric Péchier, de 53 anos, foi considerado culpado por um tribunal criminal do departamento de Doubs, numa região situada junto à fronteira entre França e a Suíça.

De acordo com o Ministério Público, os crimes ocorreram entre 2008 e 2017, em duas clínicas localizadas na cidade de Besançon. O médico introduzia substâncias perigosas em sacos de perfusão intravenosa que eram posteriormente administrados a doentes submetidos a cirurgias, provocando paragens cardíacas súbitas ou hemorragias graves, muitas vezes sem qualquer explicação clínica aparente.
Motivação ligada ao poder e à vaidade profissional
Durante o julgamento, os procuradores afirmaram que Frédéric Péchier actuava para satisfazer uma sede de poder e para demonstrar, perante colegas e equipas médicas, as suas capacidades de reanimação em situações de emergência que ele próprio criava. A acusação defendeu ainda que o anestesiologista procurava desacreditar profissionais com quem mantinha conflitos, criando crises médicas artificialmente.
PUBLICIDADE
Carro apreendido por falta de seguro? Cotação de seguro para veículos apreendidos pela polícia no Reino Unido por falta de seguro ou de documentação.
O tribunal ouviu diversos peritos que concluíram que apenas uma intenção criminosa poderia justificar a presença de doses extremamente elevadas de medicamentos em doentes considerados de baixo risco. Em alguns casos, as análises revelaram concentrações até 100 vezes superiores às doses terapêuticas recomendadas.
Acusação descreve crimes como actos de extrema gravidade
Na fase final do processo, os procuradores classificaram Péchier como um dos mais perigosos criminosos da história recente, acusando-o de usar a medicina como instrumento de morte. Em tribunal, foi referido que o médico transformou locais destinados a salvar vidas em espaços de sofrimento e morte, manchando a reputação da profissão médica.
O caso foi frequentemente comparado ao do médico britânico Harold Shipman, responsável pelo assassinato de centenas de pacientes no Reino Unido, reforçando a dimensão e a gravidade dos crimes atribuídos ao anestesiologista francês.
Crianças entre as vítimas dos envenenamentos
Entre as vítimas encontra-se Tedy Hoerter-Tarby, que tinha apenas quatro anos quando sofreu uma paragem cardíaca inexplicável momentos antes de uma cirurgia às amígdalas, em fevereiro de 2016. A criança esteve 25 minutos em reanimação e passou dois dias em coma, sobrevivendo com graves consequências emocionais para a família.

Numa mensagem lida em tribunal, Tedy, actualmente com quase 14 anos, afirmou compreender que a sua própria vida foi usada como instrumento para atingir objectivos pessoais do médico. O pai do jovem descreveu o sofrimento vivido pela família, recordando o desespero da mãe junto ao leito hospitalar durante os dias críticos.
Investigação revelou padrão prolongado de crimes
A investigação judicial teve início em 2017, após a identificação de várias paragens cardíacas suspeitas durante cirurgias consideradas de baixo risco. Um dos primeiros casos analisados envolveu uma mulher de 36 anos, saudável, que entrou em coma após uma cirurgia à coluna, depois de receber uma injecção administrada por Péchier.
PUBLICIDADE
Conduz no Reino Unido? Compare preços de seguros de mais de 100 seguradoras em menos de 3 minutos no portal de comparação de seguros Icompare4u.
A primeira morte atribuída ao médico ocorreu em outubro de 2008. Damien Lehlen, de 53 anos, morreu durante uma cirurgia renal de rotina, tendo exames posteriores detectado uma dose potencialmente letal de lidocaína no organismo. A vítima mais idosa tinha 89 anos, confirmando que os crimes abrangeram várias faixas etárias.
Com a condenação a prisão perpétua, a justiça francesa colocou um ponto final num dos casos criminais mais chocantes do sistema de saúde do país, sublinhando a necessidade de vigilância rigorosa e de mecanismos eficazes de controlo no meio hospitalar.

