Diretores funerários condenados a quatro anos de prisão

Familiares das vítimas expressaram profunda dor e revolta durante a audiência de sentença dos diretores funerários Richard Elkin e Hayley Bell, condenados por vários crimes relacionados com a gestão indevida de corpos e fraude na atividade profissional.

Familiares das vítimas
Diretores funerários condenados a quatro anos de prisão © CPS/PA Wire

Um dos filhos de uma mulher falecida afirmou que nunca conseguiu viver o luto de forma plena devido à atuação dos arguidos. Recordou, em tribunal, o momento em que transportou o caixão da mãe, descrevendo o gelo a derreter sobre as mãos e o odor a decomposição como memórias que continuam a persegui-lo. “Foi o último ato que pude fazer para honrar a minha mãe”, declarou.

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O seu irmão, Jamie Williams, afirmou que desconhecia a existência de “diretores funerários desonestos”, considerando os factos revelados como “chocantes” e moralmente condenáveis.

Também Corinne Boulton relatou o impacto devastador da conduta dos responsáveis. Segundo afirmou, confiou em Hayley Bell durante 23 anos e recorreu aos seus serviços após a morte do filho recém-nascido, Albie, que faleceu 11 minutos após o parto. A mãe contou que o caixão do bebé foi selado, impedindo-a de o segurar pela última vez, o que considerou uma perda irreparável. Acrescentou que a recusa dos arguidos em prestar esclarecimentos deixa a família permanentemente assombrada por dúvidas.

Condenação por fraude e impedimento de enterros legais

Richard Elkin e Hayley Bell foram considerados culpados de causar intencionalmente incómodo público entre 27 de junho de 2022 e 11 de dezembro de 2023, de impedir o enterro legal de um corpo entre 3 de novembro e 11 de dezembro de 2023 e de exercer atividade comercial de forma fraudulenta entre 10 de agosto de 2022 e 11 de dezembro de 2023.

Elkin foi ainda condenado por falsificação de um certificado de direção funerária e utilização do mesmo como documento autêntico até 10 de dezembro de 2023. Anteriormente, já se tinha declarado culpado de posse ilegal de spray de pimenta.

A juíza Newton-Price aplicou a ambos uma pena de quatro anos de prisão pelo crime principal de incómodo público, bem como penas adicionais concorrentes pelos restantes crimes. Após a leitura da sentença, ouviu-se na sala de audiências a expressão “Não é suficiente”, refletindo a indignação de alguns presentes.

Andrew Eddy, do Ministério Público britânico, considerou que a decisão representa “um momento importante”, sublinhando que se trata de um dos primeiros casos em que diretores funerários são criminalmente responsabilizados por negar às famílias um funeral legal e digno. Segundo afirmou, os arguidos abusaram da confiança depositada neles, armazenaram corpos em condições degradantes, mentiram a familiares enlutados e continuaram a operar mesmo sabendo que não conseguiam cumprir obrigações básicas.

Setor funerário pede regulamentação estatutária urgente

Na sequência do caso, o Institute of Cemetery and Crematorium Management renovou o apelo à introdução urgente de regulamentação estatutária para o setor funerário.

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O diretor-executivo da entidade, Matthew Crawley, reconheceu que a maioria dos profissionais presta serviços com dignidade e elevado padrão ético, mas alertou que o caso demonstra os riscos significativos quando não existem mecanismos legais robustos de supervisão e responsabilização.

A instituição sublinhou que as famílias enlutadas depositam uma confiança enorme no setor funerário, defendendo que apenas uma estrutura regulamentar clara poderá prevenir situações semelhantes no futuro.

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