Uma dietista que alegou possuir qualificações superiores para obter um cargo sénior no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) foi removida da profissão depois de se descobrir que tinha conhecimentos extremamente limitados de anatomia e nutrição clínica. Ifenyinwa Chizube Ndulue-Nonso, originária da Nigéria, afirmou ter experiência no tratamento de doenças relacionadas com a nutrição, distúrbios alimentares e cancro, mas rapidamente demonstrou não estar apta para a função.

Contratada para o cargo de Band 6 Rotational Dietician no Manchester Royal Infirmary em 2024, Ndulue-Nonso revelou dificuldades em calcular o índice de massa corporal (IMC), identificar tubos de alimentação e diferenciar intestino delgado de intestino grosso. Em alguns casos, acreditava que a insuficiência cardíaca era tratada por radiologia, evidenciando lacunas críticas em conhecimentos básicos de anatomia e fisiologia humana.
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Colegas e supervisores notaram, ainda na primeira semana, que a dietista confundia doenças como a doença celíaca e a síndrome do intestino irritável (IBS), e que recorria a pesquisas online para termos que se esperava que dominasse. A gravidade da situação levou a que Ndulue-Nonso fosse imediatamente sujeita a supervisão rigorosa e impedida de contacto direto com pacientes, evitando assim qualquer dano.
Investigação e penalizações
O Manchester University NHS Foundation Trust iniciou uma investigação formal após as primeiras semanas de trabalho, que confirmaram a má conduta. Durante o processo, constatou-se que Ndulue-Nonso tinha falsificado informações na candidatura e na entrevista, alegando competências que não possuía, incluindo nutrição parenteral, alimentação artificial e experiência em trabalho conjunto com farmacêuticos ou técnicos de laboratório.
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O painel do Health and Care Professions Tribunal Service (HCPTS) concluiu que Ndulue-Nonso colocou pacientes em risco ao exagerar a sua experiência para benefício pessoal, incluindo a obtenção do direito de residir no Reino Unido com a família. A dietista foi considerada culpada de má conduta grave e despedida, decisão posteriormente confirmada em recurso. O tribunal destacou que nenhum paciente foi prejudicado devido à supervisão rigorosa e medidas preventivas implementadas pelos seus superiores.
Reações e reforço de processos de recrutamento
Um porta-voz do Manchester University NHS Foundation Trust sublinhou que, apesar de Ndulue-Nonso estar registada como profissional no momento da contratação, as preocupações surgiram logo nos primeiros dias de trabalho. O hospital reforçou os processos de recrutamento, incluindo verificações rigorosas de qualificações e experiência, e afirmou que qualquer pessoa que falsifique informações será denunciada ao Health & Care Professions Council (HCPC).
O caso evidencia os riscos graves associados à falsificação de qualificações na área da saúde e reforça a necessidade de supervisão contínua e de auditorias internas, especialmente em funções clínicas de elevado impacto sobre a vida dos pacientes. Os especialistas lembram que a segurança dos pacientes deve prevalecer sobre qualquer benefício administrativo ou burocrático, e que mecanismos de deteção precoce de competências insuficientes são fundamentais para evitar situações de risco.
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Além do impacto direto na instituição, este episódio gerou alertas para outros serviços de saúde, reforçando a importância de formação contínua e avaliações periódicas de competências para profissionais recém-contratados. A história de Ndulue-Nonso serve como um exemplo claro de como a confiança profissional pode ser comprometida e como medidas de supervisão e auditoria são essenciais para proteger a integridade do sistema de saúde e a segurança dos doentes.

