Desemprego dispara no Reino Unido e atinge máximo de 10 anos

A taxa de desemprego no Reino Unido subiu para 5,1%, o valor mais elevado registado em quase dez anos, excluindo o período da pandemia. Os dados mais recentes do Office for National Statistics (ONS) indicam que, nos três meses até outubro, 1,832 milhões de pessoas estavam desempregadas e ativamente à procura de trabalho.

Keir Starmer
Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista (Labour Party) no Reino Unido © Leon Neal/Pool via Reuters

Em termos trimestrais, o número de desempregados aumentou em 158 mil, enquanto a subida anual foi de 327 mil pessoas. Fora o ano de 2021, marcado pela crise sanitária, o desemprego não atingia este nível desde o início de 2016, numa fase ainda de recuperação da crise financeira global.

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Quando o Partido Trabalhista assumiu o poder, em julho do ano passado, a taxa de desemprego situava-se nos 4,2%, tendo o pico pandémico sido de 5,3%.

Redução do emprego e impacto das políticas económicas

Dados provisórios do ONS revelam também uma queda significativa do número de trabalhadores em folha de pagamento, com menos 171 mil empregos no espaço de um ano até novembro, uma redução de 0,6%. Em termos mensais, perderam-se 38 mil postos de trabalho, fixando o total em 30,3 milhões.

Os empregadores têm vindo a reduzir os seus quadros, em parte devido ao aumento das contribuições para a Segurança Social (National Insurance), em vigor desde abril, após o último Orçamento. Economistas apontam ainda a incerteza em torno do Orçamento deste ano e a introdução do novo projeto de lei sobre direitos laborais como fatores adicionais para a deterioração do mercado de trabalho.

Job Centre Plus. Desemprego dispara no Reino Unido e atinge máximo de 10 anos
Desemprego dispara no Reino Unido e atinge máximo de 10 anos © EPA

Apesar da tendência negativa, o desemprego mantém-se relativamente baixo quando comparado com os padrões históricos britânicos. No entanto, o desemprego jovem agravou-se, passando de 12,7% para 13,4%, o valor mais elevado desde 2015, excluindo o período pandémico.

Salários crescem, mas Banco de Inglaterra prepara corte das taxas

Os salários registaram um crescimento médio de 4,6%, com os salários reais, ajustados à inflação, a subirem 0,5%. No setor privado, o crescimento salarial foi de 3,9%, enquanto no setor público atingiu 7,6%.

Perante estes números, aumenta a probabilidade de o Banco de Inglaterra avançar com um corte das taxas de juro na reunião do Comité de Política Monetária marcada para quinta-feira. A maioria dos analistas antecipa uma redução de 0,25 pontos percentuais, o que colocaria a taxa diretora nos 3,75%, o nível mais baixo desde fevereiro de 2023.

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Ainda assim, a decisão final dependerá dos dados da inflação de novembro, a divulgar esta semana. Uma nova descida do Índice de Preços no Consumidor, face aos 3,6% registados em outubro, poderá confirmar que a economia está a abrandar a um ritmo suficiente para justificar o alívio monetário.

O secretário de Estado do Trabalho e Pensões, Pat McFadden, reconheceu os desafios herdados pelo atual Governo, apesar de destacar que existem mais de 350 mil pessoas empregadas face ao ano anterior e que a taxa de inatividade se encontra no valor mais baixo dos últimos cinco anos. O Executivo anunciou um investimento de 1,5 mil milhões de libras para criar 50 mil aprendizagens e 350 mil novas oportunidades de trabalho para jovens, bem como uma investigação liderada por Alan Milburn sobre a inatividade juvenil.

Para Suren Thiru, diretor de economia do ICAEW, o mercado de trabalho enfrenta “um inverno duro”, pressionado pelo aumento dos custos das empresas e pela quebra da procura, tornando “inevitável” um novo corte das taxas de juro para apoiar a economia.

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