O défice da balança comercial de Moçambique agravou-se em 41% até ao final do terceiro trimestre de 2025, atingindo 390 milhões de dólares (339,2 milhões de euros), segundo dados do Banco de Moçambique. No mesmo período de 2024, o saldo negativo situava-se nos 267 milhões de dólares (232,2 milhões de euros), evidenciando uma deterioração significativa das contas externas do país.

De acordo com o relatório da balança de pagamentos, esta evolução foi impulsionada, sobretudo, pela queda das exportações de bens, que registaram uma diminuição de 7,6%, correspondente a menos 470 milhões de dólares (408,9 milhões de euros). A redução das receitas provenientes do comércio externo surge como o principal factor por detrás do agravamento do défice, num contexto de menor desempenho dos sectores exportadores.
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Grandes Projetos influenciam fortemente o desempenho externo
Um dos elementos centrais para compreender esta tendência é o papel dos chamados Grandes Projetos, especialmente nas áreas da extração mineira e do gás natural. Estes empreendimentos registaram uma quebra significativa nas exportações, com uma redução de cerca de 295 milhões de dólares (256,6 milhões de euros) nas vendas ao exterior.
A forte dependência da economia moçambicana destes projectos de grande escala torna o país particularmente vulnerável a oscilações nos mercados internacionais e à variação da produção nestes sectores. Assim, qualquer alteração no desempenho destas actividades tem impacto directo na balança comercial.
Exportações e importações recuam, mas défice mantém-se elevado
No período em análise, o total das exportações de bens fixou-se em 5.709 milhões de dólares (4.966 milhões de euros), abaixo dos 6.178 milhões de dólares (5.374 milhões de euros) registados no mesmo período do ano anterior. A Índia destacou-se como um dos principais destinos das exportações moçambicanas, absorvendo cerca de 20% do total.
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Por outro lado, as importações também registaram uma redução, ainda que insuficiente para compensar a queda das exportações. Entre janeiro e setembro de 2025, Moçambique importou bens no valor de 6.099 milhões de dólares (5.306 milhões de euros), face aos 6.455 milhões de dólares (5.615 milhões de euros) no mesmo período de 2024. A África do Sul manteve-se como o principal fornecedor, representando 27% das importações.
Apesar da diminuição das compras ao exterior, o défice comercial permaneceu elevado, reflectindo o desequilíbrio estrutural entre a capacidade de exportação e a dependência de bens importados.
Indicadores revelam dependência estrutural e desafios económicos
O relatório do Banco de Moçambique evidencia ainda que, ao excluir os Grandes Projetos das contas, o défice da conta de bens apresenta uma redução significativa, caindo para cerca de 2.081 milhões de dólares (1.810 milhões de euros) até ao final de setembro.
Este dado revela a complexidade da estrutura económica do país, onde os Grandes Projetos, apesar de contribuírem para o crescimento económico e para o investimento estrangeiro, também introduzem volatilidade nas contas externas.
Perspectivas e desafios para a economia moçambicana
O agravamento do défice comercial coloca desafios adicionais à economia moçambicana, nomeadamente ao nível da sustentabilidade externa e da estabilidade cambial. A dependência de sectores extractivos e a limitada diversificação da base exportadora continuam a ser factores críticos.
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Especialistas apontam para a necessidade de reforçar políticas de diversificação económica, incentivar a produção nacional e promover sectores com maior valor acrescentado. Ao mesmo tempo, torna-se essencial garantir maior equilíbrio entre exportações e importações, de forma a reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a resiliência da economia face a choques internacionais.

