Um menino de nove anos foi resgatado pelas autoridades após ter permanecido alegadamente fechado durante cerca de 18 meses numa carrinha pertencente ao pai, no leste de França. A criança foi encontrada numa localidade próxima de Hagenbach, junto às fronteiras com a Suíça e a Alemanha, depois de um vizinho ter alertado a polícia ao ouvir sons vindos do interior do veículo.

De acordo com o Ministério Público, o menor foi encontrado deitado em posição fetal, sem roupa, coberto por um cobertor e rodeado de lixo e dejetos. O prolongado período de confinamento obrigou-o a permanecer praticamente imóvel, o que resultou na perda da capacidade de andar.
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O menino foi imediatamente transportado para uma unidade hospitalar, onde recebe cuidados médicos e acompanhamento especializado, dada a gravidade do seu estado físico e psicológico.
Pai detido e acusado de sequestro agravado
O pai da criança foi detido pelas autoridades e enfrenta acusações preliminares de sequestro e outros crimes. Em declarações às autoridades, terá alegado que manteve o filho fechado na carrinha desde novembro de 2024, justificando a ação como uma forma de o “proteger”, após um desacordo com a companheira sobre um eventual internamento psiquiátrico.
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Contudo, o procurador responsável pelo caso afirmou que não existem registos médicos que sustentem qualquer diagnóstico psiquiátrico da criança. Pelo contrário, informações escolares indicam que o menino apresentava bom desempenho académico antes do desaparecimento.
Durante o depoimento, a própria criança revelou que enfrentava dificuldades na relação com a companheira do pai e que acreditava não ter alternativa à situação em que se encontrava.
Investigação apura responsabilidades e possível conhecimento de terceiros
A companheira do suspeito negou ter conhecimento de que o menino se encontrava na carrinha. Ainda assim, foi constituída arguida por alegada omissão de auxílio a menor em perigo, tendo ficado em liberdade sob supervisão judicial.
As autoridades estão agora a investigar se outras pessoas tinham conhecimento da situação e não a denunciaram. Familiares e conhecidos terão indicado que acreditavam que a criança estava internada numa instituição psiquiátrica, informação que também foi transmitida à escola, onde constava que o aluno tinha sido transferido.
Outras crianças sinalizadas e colocadas sob proteção
No seguimento da operação, outras duas menores — a irmã do menino, de 12 anos, e a filha da companheira do pai, de 10 anos — foram encaminhadas para os serviços de proteção de menores.
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O caso está a gerar forte comoção em França, levantando questões sobre falhas na deteção de situações de risco e na proteção de crianças em contextos familiares vulneráveis. As autoridades prosseguem as investigações para apurar todas as circunstâncias e eventuais responsabilidades adicionais.

