João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), reiterou esta quinta-feira que a denúncia de assédio sexual feita por uma ex-assessora parlamentar do partido será “cabalmente esclarecida em tribunal”, assegurando que “não tem nada a esconder”.

Questionado pelos jornalistas sobre o comunicado da alegada vítima, Inês Bichão, no qual esta afirma que a “veracidade dos factos” será apurada judicialmente, Cotrim destacou que todos os factos serão investigados. “Falarei com todo o gosto sobre o assunto”, sublinhou, defendendo que as acusações não correspondem à sua conduta.
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O candidato mostrou-se visivelmente irritado com a insistência sobre o tema, que se tornou público na segunda-feira, afirmando que a divulgação da denúncia desvia o foco da sua campanha. “Eu não estou a dizer que foi a pessoa em si, alguém fez isto e está a conseguir. Vocês estão a ser completamente instrumentalizados para usar este caso para dinamitar a minha campanha nos últimos dois dias”, afirmou.
Iniciativa Liberal garante ausência de queixas internas e Cotrim apresenta queixa-crime
Ainda esta quinta-feira, Cotrim Figueiredo anunciou que vai apresentar uma queixa-crime por difamação, reforçando que pretende esclarecer os factos no âmbito judicial. Em comunicado, a Iniciativa Liberal assegurou que, durante 2023, não houve “qualquer queixa interna ou reporte, formal ou informal” por parte de Inês Bichão relativamente ao candidato.
Em contrapartida, a ex-assessora afirmou que os factos terão sido reportados internamente ao longo do ano, embora Cotrim tenha afirmado que não tinha qualquer conhecimento sobre a matéria. Esta é a primeira vez que o eurodeputado mencionou publicamente o nome da alegada vítima.
O caso suscita atenção mediática acrescida, dado o contexto eleitoral, e levanta questões sobre o impacto de denúncias deste tipo na campanha. Analistas políticos apontam que incidentes desta natureza podem condicionar a perceção pública sobre os candidatos e influenciar a dinâmica eleitoral nos dias que antecedem a votação.
Implicações políticas e legais
A situação cria um cenário delicado para Cotrim Figueiredo, que tenta manter o foco na sua campanha, enquanto enfrenta acusações graves que serão agora analisadas pelos tribunais. Especialistas em direito eleitoral e direito penal observam que o processo poderá servir de teste para a gestão de denúncias de assédio sexual em partidos políticos e para a responsabilização por difamação em contexto eleitoral.
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O desfecho do caso depende agora do andamento da investigação judicial, que deverá apurar a veracidade das acusações e determinar eventuais consequências legais, tanto para o candidato como para os envolvidos na divulgação da denúncia. Até lá, a polémica promete continuar a ocupar espaço mediático, impactando a estratégia de comunicação da candidatura de Cotrim Figueiredo.

