Condenado a 25 anos por triplo homicídio em barbearia em Lisboa

O Tribunal de Lisboa sentenciou, nesta quarta-feira, Fernando Silva, de 33 anos, a 25 anos de prisão pela morte de três pessoas na barbearia “Ganda Pente”, na freguesia da Penha de França, em Lisboa. O crime ocorreu a 2 de outubro de 2024 e chocou a comunidade local pela brutalidade e motivação aparentemente frívola.

barbearia da Penha de França, em Lisboa
Condenado a 25 anos por triplo homicídio em barbearia em Lisboa © Rita Chantre

O crime na barbearia: um ato de violência irracional

O réu foi condenado pela morte de Carlos Pina, barbeiro de 43 anos, e do casal Fernanda Júlia da Silva, de 34, e Bruno Neto, de 36. Durante a tarde do fatídico dia, Fernando Silva dirigiu-se à barbearia Grande Pente, no Bairro do Vale, com a intenção de cortar o cabelo. Após não ser atendido de imediato, o arguido, munido de uma arma de fogo, disparou contra as vítimas, matando três delas no local.

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O tribunal descreveu o motivo do crime como “frívolo, totalmente irrazoável e desproporcional”, uma vez que a recusa do barbeiro em atendê-lo de forma imediata teria gerado uma reação desmedida e fatal. Além das três vítimas mortais, o arguido também disparou contra um outro cliente e contra um funcionário da barbearia, mas não conseguiu atingir este último.

Condenação e consequências: indemnizações e alegações de surto psicótico

A juíza responsável pela leitura da sentença classificou os atos do arguido como “uma atuação dantesca” e sublinhou que Fernando Silva estava “inteiramente capaz de se autodeterminar” no momento do crime. O tribunal afastou a hipótese de que o réu tenha agido em um surto psicótico relacionado a uma doença esquizofrénica, tal como alegado pela defesa. Embora o arguido tenha sido descrito como tendo uma “personalidade moderadamente psicopata”, não foi provado que ele fosse portador de esquizofrenia.

Além da pena de prisão, o tribunal determinou que Fernando Silva pague indemnizações no valor total de 415 mil euros. O montante será distribuído entre os filhos das vítimas e o barbeiro que sobreviveu ao ataque. O acusado foi igualmente condenado por quatro crimes de homicídio qualificado, um deles na forma tentada, e por detenção de arma proibida.

Defesa admite recorrer e critica decisões do tribunal

Ao final da sessão, o advogado de Fernando Silva, Luís Candeias, expressou descontentamento com a sentença, que considerou mais severa do que o esperado. “Esperávamos uma pena mais leve, perto dos 22 anos de prisão”, afirmou o advogado. Candeias também lamentou a recusa do tribunal em permitir uma nova perícia psiquiátrica, argumentando que Silva é esquizofrénico e que já teve episódios de surtos anteriores.

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O advogado adiantou que irá recorrer da decisão, contestando especialmente a recusa de realizar uma nova avaliação médica e a decisão final sobre a saúde mental do réu. Silva, que fugiu após os homicídios, foi detido uma semana depois em casa de familiares, na margem sul do Tejo.

A sentença de 25 anos de prisão é um marco na conclusão de um caso que deixou uma forte impressão na sociedade, destacando a violência irracional e a tragédia de vidas perdidas de forma brutal e incompreensível.

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