A agressão a um casal de turistas em Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco, ganhou novos contornos nesta segunda-feira (29), quando os comerciantes envolvidos divulgaram um vídeo nas redes sociais, apresentando sua versão sobre os fatos.

O conteúdo, postado por um barraqueiro conhecido na região e apresentado por um homem identificado como Dinho, gerou uma forte reação nas redes sociais, principalmente pela negativa de que o episódio tenha sido motivado por homofobia, como alegado pelas vítimas.
Os comerciantes contestaram as acusações feitas pelos turistas, naturais de Mato Grosso, que relataram ter sido agredidos após um desentendimento sobre o preço cobrado pelo uso de cadeiras e guarda-sol na faixa de areia da praia. No vídeo, Dinho rejeita a classificação do episódio como um crime de ódio, afirmando: “Não foi um caso de homofobia. Estão tentando atrelar isso à história e não foi.”
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Versão dos Comerciante e Detalhes sobre o Desentendimento
De acordo com os barraqueiros, o preço pelo uso da estrutura na praia, que seria de R$ 80, foi previamente informado aos turistas. A confusão teria surgido quando o casal ultrapassou a área delimitada para as barracas, marcada por bandeiras na areia. Os comerciantes explicaram que, ao utilizar as cadeiras e o guarda-sol, os turistas precisariam pagar pela estrutura, o que, segundo eles, foi acordado antes da disputa.
A versão dos trabalhadores foi detalhada por outros envolvidos no vídeo. Vera, uma das mulheres que aparece na gravação, contou que o conflito teve início quando os turistas se recusaram a permitir que outras pessoas se acomodassem à frente deles. Eduardo, outro barraqueiro, relatou que foi agredido antes de reagir: “Ele me deu um mata-leão, eu fiquei apagado no chão,” disse.
No entanto, o casal de turistas, Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, tem uma versão diferente. De acordo com eles, o incidente teve início quando questionaram o aumento repentino do valor cobrado pelo uso de cadeiras, que passou de R$ 50 para R$ 80, sem aviso prévio. Johnny acredita que a agressão foi motivada por homofobia, já que ambos formam um casal gay. O casal afirmou ainda que, ao se recusar a pagar o novo valor, foi atacado por um barraqueiro e, em seguida, por outros comerciantes.
Repercussão e Medidas Emergenciais
A situação gerou grande repercussão nas redes sociais, com muitos usuários criticando a postura dos comerciantes. O caso também levou as autoridades a tomarem medidas imediatas. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, em nota, informou que o caso está sendo tratado como prioridade e que a investigação por lesão corporal está a cargo da Polícia Civil. A pasta também confirmou que, quando as forças de segurança chegaram à praia, a situação já estava controlada.
Em uma ação conjunta com a polícia e o Procon, a prefeitura de Ipojuca, município do Grande Recife, lamentou e repudiou o ocorrido. A gestão municipal anunciou medidas emergenciais para organizar o comércio na orla de Porto de Galinhas, incluindo o reforço das ações de fiscalização e a ampliação do efetivo da Guarda Municipal e da Secretaria de Meio Ambiente. Além disso, uma comunicação formal foi enviada à barraca onde os agressores trabalhavam, determinando o afastamento preventivo dos garçons e atendentes envolvidos até a conclusão das investigações.
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O município também intensificou a fiscalização para coibir práticas irregulares, como a venda casada e a exigência de consumação mínima, além de reforçar a fiscalização sobre a atuação de “flanelinhas” na região.
O caso segue sob investigação, e as autoridades aguardam o desfecho das apurações para determinar as responsabilidades.

