A última época das chuvas em Moçambique provocou 311 mortos e afetou cerca de 1,075 milhões de pessoas em todo o país, segundo dados atualizados divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). O balanço refere-se ao período entre outubro de 2025 e abril de 2026, marcado por cheias severas, ciclones e fortes inundações.

Os números revelam ainda que quase 247 mil famílias sofreram impactos diretos das intempéries, num dos períodos chuvosos mais devastadores dos últimos anos no território moçambicano.
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Chuvas intensas destruíram milhares de casas e deixaram desaparecidos
De acordo com o relatório do INGD, além das 311 vítimas mortais, foram registados 352 feridos e 17 desaparecidos durante a época chuvosa.
As autoridades contabilizaram igualmente danos significativos em habitações, com 211.678 casas inundadas, 15.266 totalmente destruídas e 30.247 parcialmente destruídas.
As cheias registadas em janeiro foram apontadas como as mais severas dos últimos anos, causando sozinhas 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos. Nesse período, mais de 715 mil pessoas foram afetadas pelas inundações em diferentes regiões do país.
O impacto das condições meteorológicas extremas obrigou ainda ao resgate de 7.214 pessoas, sobretudo durante o pico das cheias.
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Ciclone Gezani agravou situação humanitária em Inhambane
A passagem do ciclone Gezani pela província de Inhambane, nos dias 13 e 14 de fevereiro, agravou ainda mais o cenário de destruição. Segundo o INGD, o fenómeno provocou quatro mortos e afetou mais de nove mil pessoas.
As autoridades moçambicanas destacam que a conjugação entre chuvas intensas, ciclones tropicais e inundações sucessivas colocou elevada pressão sobre os serviços de emergência e assistência humanitária ao longo dos últimos sete meses.
Desde outubro, foram ativados 198 centros de acomodação temporária, que chegaram a acolher mais de 139 mil deslocados. Atualmente, continuam ativos 24 centros, onde permanecem alojadas pelo menos 7.544 pessoas.
Infraestruturas, agricultura e escolas sofreram danos elevados
Os prejuízos provocados pela época das chuvas estenderam-se também às infraestruturas públicas e ao setor agrícola, considerado essencial para a economia e subsistência de milhares de famílias moçambicanas.
Segundo os dados oficiais, cerca de 320.434 hectares de áreas agrícolas foram destruídos, afetando diretamente 373.262 agricultores. Além disso, morreram aproximadamente 532.985 animais, incluindo bovinos, caprinos e aves.
No setor das infraestruturas, os danos atingiram 9.516 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos, dificultando o acesso a várias comunidades e comprometendo operações de assistência.
A área social também registou impactos relevantes, com 790 escolas, 304 unidades de saúde e 98 locais de culto afetados pelas chuvas e inundações.
Autoridades reforçam necessidade de prevenção e resposta climática
Face à dimensão dos danos, especialistas e autoridades alertam para a necessidade de reforçar medidas de prevenção, adaptação climática e capacidade de resposta a fenómenos meteorológicos extremos em Moçambique.
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O país é frequentemente afetado por ciclones tropicais e chuvas intensas durante a época húmida, situação agravada pelas alterações climáticas e pela vulnerabilidade de várias regiões às cheias.
As autoridades continuam a monitorizar áreas consideradas de risco e a prestar assistência às populações deslocadas, enquanto decorrem trabalhos de recuperação de infraestruturas e apoio às comunidades afetadas.

