Tragédia das Chuvas em Minas Gerais Matam 30 Pessoas e Deixa Desabrigados

As chuvas intensas que atingem a Região Sudeste do Brasil desde a noite de segunda-feira (23/2) provocaram a morte de pelo menos 30 pessoas na Zona da Mata de Minas Gerais, segundo o Corpo de Bombeiros. Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, contabiliza 24 óbitos confirmados e 37 pessoas desaparecidas, enquanto em Ubá foram registradas seis mortes e duas pessoas continuam desaparecidas.

Profissionais trabalham em resgate de deslizamentos
Tragédia das Chuvas em Minas Gerais Matam 30 Pessoas e Deixa Desabrigados © Pablo Porciuncula/AFP

Em Juiz de Fora, o volume de chuva em apenas sete horas alcançou cerca de 80% da média mensal, provocando deslizamentos de encostas e soterramentos. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, posteriormente reconhecido pelo governo federal.

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“Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo porque temos de registar, pela primeira vez, perdas de vida decorrentes destes fenómenos climáticos”, afirmou a governante. Segundo a prefeitura, cerca de 20 imóveis foram soterrados e 440 pessoas ficaram desalojadas, sendo acolhidas provisoriamente em três escolas.

Entre as vítimas encontram-se três alunos da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves – Maitê Cedlia Pereira Fernandes e os irmãos Arthur Rafael de Oliveira Machado e Miguel Carlos da Silva Machado – bem como a mãe de Arthur e Miguel. A diretora da escola descreveu a situação como “devastadora” e afirmou que a instituição está a receber doações e a abrigar cerca de 60 pessoas.

Vista superior de area afetada pela chuva
Vista superior de area afetada pela chuva © Pablo Porciuncula/AFP

O Corpo de Bombeiros mobilizou 150 agentes de reforço, apoiados por cães farejadores, para auxiliar nas buscas em áreas de risco, incluindo o bairro Parque Jardim Burnier, onde um deslizamento cobriu 12 imóveis, resultando em quatro mortos e 17 desaparecidos.

Fenómenos Climáticos e Previsão de Chuvas

Especialistas em meteorologia explicam que a tempestade histórica resultou da combinação de três fenómenos: passagem de uma frente fria pelo Sudeste, temperaturas elevadas e elevada umidade atmosférica. A meteorologista Maria Clara Sassaki, da Tempo OK, esclareceu que o encontro destes fatores favoreceu a formação de nuvens carregadas e precipitação intensa, principalmente em áreas de encosta.

Em Juiz de Fora, foram registados cerca de 100 mm de chuva em menos de 12 horas, contra uma média mensal de 170 mm para fevereiro. A previsão aponta para continuidade das instabilidades, com acumulados entre 40 e 60 mm em diferentes regiões do estado nos próximos dias.

Apesar de relatos de tremor de terra no fim de semana anterior, o sismólogo Bruno Collaço, da USP, descartou qualquer relação com os deslizamentos, explicando que abalos de magnitude 2,1 são frequentes e não provocam danos significativos às construções.

Impactos em Outros Estados e Medidas de Emergência

No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, enquanto cerca de 600 pessoas ficaram desalojadas. O município decretou situação de emergência, e a Rodovia Presidente Dutra chegou a ser interditada devido a alagamentos.

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Em São Paulo, a Defesa Civil registou 19 mortes desde o início da Operação Verão, com maior risco concentrado no litoral. Cidades como Peruíbe e localidades do litoral norte enfrentam inundações e deslizamentos que mantêm rodovias parcialmente interditadas. O Cemaden emitiu alerta de alto risco para movimentos de massa, enquanto a previsão indica pancadas de chuva e trovoadas com potencial para novos alagamentos.

O governo federal enviou equipes para apoiar os municípios afetados e garantiu assistência humanitária, restabelecimento dos serviços básicos e auxílio à reconstrução, enquanto o governador Romeu Zema decretou três dias de luto oficial em Minas Gerais.

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