A China anunciou a eliminação de tarifas alfandegárias para a quase totalidade dos países africanos, numa medida que reforça a sua estratégia de aproximação económica ao continente. A decisão entra em vigor esta sexta-feira e exclui apenas Eswatini, que mantém relações diplomáticas com Taiwan.

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A iniciativa abrange agora 53 países africanos e prolonga-se até 30 de abril de 2028, representando uma expansão de um regime anteriormente aplicado a 33 nações menos desenvolvidas. Pequim afirma ser, assim, a primeira grande economia mundial a conceder um tratamento tarifário zero unilateral a África.
Estratégia chinesa e impacto no comércio com África
A medida é vista por analistas como uma tentativa da China de reforçar a sua influência geopolítica e económica, num contexto de competição global com os Estados Unidos. Segundo especialistas, Pequim posiciona-se como um parceiro comercial mais aberto e favorável a África.
Apesar do anúncio, o comércio entre China e o continente africano continua marcado por um forte desequilíbrio. Em 2024, o défice comercial africano com a China aumentou cerca de 65%, atingindo aproximadamente 102 mil milhões de dólares. As exportações africanas continuam concentradas em matérias-primas como petróleo bruto e minérios, enquanto as importações provenientes da China são maioritariamente produtos manufacturados.
Economistas alertam, contudo, que a redução de tarifas, por si só, não resolve os principais entraves ao desenvolvimento económico africano, como limitações industriais, fragilidades logísticas e baixa capacidade de transformação local.
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Oportunidades limitadas e desafios estruturais
Especialistas sublinham que os benefícios da medida poderão ser desiguais entre os países africanos. Economias mais industrializadas e com maior capacidade exportadora, como África do Sul e Marrocos, estarão em melhor posição para tirar partido do novo regime.
Outros analistas destacam potenciais ganhos no setor agrícola, com impacto positivo em rendimentos rurais e na redução da pobreza. Produtos como café, nozes, chá, abacate e macadâmia poderão ganhar maior acesso ao mercado chinês, que tem registado alterações nos padrões de consumo nas últimas décadas.
Ainda assim, vários economistas alertam que o desafio estrutural permanece: África continua fortemente dependente da exportação de matérias-primas e da importação de bens manufacturados, o que limita o desenvolvimento industrial e a criação de emprego qualificado.
Eswatini excluído e a dimensão política da decisão
A exclusão de Eswatini do regime de tarifas zero é amplamente interpretada como uma decisão política. O país africano mantém relações diplomáticas com Taiwan, o que o coloca numa posição singular no contexto das relações sino-africanas.
Analistas consideram que esta exclusão demonstra a utilização das relações económicas como instrumento de influência diplomática por parte de Pequim. A medida insere-se num contexto mais amplo de rivalidade entre China e Taiwan, refletindo também a crescente competição geopolítica no continente africano.
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Para vários observadores, a decisão de isolar Eswatini tem um impacto económico limitado, mas um significado político relevante, evidenciando a forma como a China utiliza o comércio como ferramenta de diplomacia estratégica.

