Portugal está a analisar o reforço do apoio humanitário a Moçambique, admitindo o envio de meios aéreos com bens essenciais para apoiar as populações afetadas pelas cheias generalizadas que assolam o país há várias semanas. A decisão está a ser avaliada com base no levantamento de necessidades realizado no terreno por uma equipa das Forças Armadas portuguesas.

Missão portuguesa identifica necessidades críticas nas zonas mais afetadas
Desde 21 de janeiro, uma equipa de reconhecimento da Força da Reação Imediata, composta por quatro oficiais do Estado-Maior-General das Forças Armadas, encontra-se em Moçambique a avaliar as principais carências humanitárias resultantes das cheias. A missão incide sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, no sul do país, regiões que registaram níveis elevados de precipitação e extensas áreas inundadas nos últimos 15 dias.
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De acordo com fonte diplomática, está a ser ponderado o envio, nos próximos dias, de um meio aéreo com apoio humanitário multissetorial, incluindo alimentos, equipamentos de emergência e outros bens de primeira necessidade. Esta resposta está alinhada com as necessidades comunicadas pelas autoridades moçambicanas e enquadra-se no esforço internacional de apoio ao país.
A operação decorre em estreita articulação com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), entidades responsáveis pela coordenação das ações de emergência e resposta humanitária no terreno.
Apoio financeiro português e impacto humano das cheias
Portugal anunciou na última semana um apoio financeiro imediato de 300 mil euros, destinado a ajuda humanitária em Moçambique. O montante será canalizado através de parceiros multilaterais, com o objetivo de assegurar uma resposta rápida às necessidades mais urgentes das populações afetadas.
Segundo dados provisórios do INGD, desde 7 de janeiro as cheias afetaram 642.122 pessoas, correspondentes a cerca de 139.708 famílias. O balanço aponta ainda para 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos, além de milhares de habitações danificadas, incluindo 757 casas totalmente destruídas, 2.879 parcialmente destruídas e mais de 71 mil inundadas. Em apenas algumas horas, o número de pessoas afetadas registou um aumento significativo, evidenciando a rápida evolução da situação no terreno.
Situação crítica prolonga-se desde o início da época chuvosa
Desde o início da época das chuvas, em outubro, Moçambique contabiliza 125 mortes e 774.828 pessoas afetadas por fenómenos meteorológicos extremos, segundo os dados mais recentes do INGD. O Governo moçambicano decretou alerta vermelho nacional, face ao agravamento da situação humanitária.
Atualmente, estão ativos 91 centros de acomodação, que acolhem 94.917 pessoas, incluindo 19.254 resgatadas de zonas isoladas. As operações de resgate continuam em várias áreas, sobretudo no sul do país, onde centenas de famílias permanecem sitiadas pelas águas, algumas refugiadas em telhados de habitações.
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As ações de socorro estão a ser realizadas com o apoio de mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo aeronaves da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra moçambicana. No entanto, as operações continuam condicionadas pelas condições meteorológicas adversas, que dificultam o acesso às zonas mais afetadas.

