Charles Bronson diz ter “esperança” de sair em liberdade após 50 anos de prisão

Charles Bronson, um dos reclusos há mais tempo detidos no Reino Unido, afirmou que os seus 50 anos de prisão foram, em vários momentos, “horrendos e brutais”, mas garante que mantém a esperança de vir a ser libertado.

Charles Bronson
Charles Bronson diz ter “esperança” de sair em liberdade após 50 anos de prisão © REX/Shutterstock

Atualmente com 73 anos, o recluso — que alterou legalmente o nome para Salvador em 2014 — foi inicialmente condenado em 1974 a sete anos de prisão por roubo à mão armada. Desde então, tem passado por diversas cadeias britânicas e também pelo hospital psiquiátrico de alta segurança de Broadmoor Hospital.

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Numa entrevista concedida a partir da prisão de alta segurança HMP Woodhill, Bronson recordou alguns dos encontros mais marcantes que teve atrás das grades, incluindo contactos com figuras históricas do submundo do crime britânico.

Entre os nomes que destacou estão os irmãos Ronnie Kray e Reggie Kray, conhecidos gangsters do leste de Londres. Bronson descreveu-os como “lendas” e afirmou que não há ninguém que se compare aos dois, sublinhando a lealdade que, na sua perspetiva, demonstravam.

Ao longo das décadas, diz ter convivido com alguns dos criminosos mais conhecidos do país, incluindo membros do grupo associado ao famoso assalto ao comboio em 1963. Apesar da violência e da dureza do ambiente prisional, afirma não ter arrependimentos e considera que essas experiências fizeram parte do seu percurso de vida.

Histórico criminal e recusas sucessivas de liberdade condicional

Nascido como Michael Peterson, Bronson foi condenado ao longo dos anos por vários crimes, incluindo assaltos, posse de armas e múltiplos episódios violentos em contexto prisional. Entre os incidentes mais graves contam-se 11 situações de tomada de reféns, envolvendo governadores prisionais, médicos, funcionários e, numa ocasião, o seu próprio advogado.

Em 2000, recebeu uma pena de prisão perpétua com um período mínimo de quatro anos, após manter um professor refém durante 44 horas na prisão de Hull. Desde então, o Conselho de Liberdade Condicional tem recusado repetidamente a sua libertação, num total de oito decisões negativas.

Bronson foi diagnosticado com perturbação de personalidade antissocial, fator que marcou o seu percurso judicial e penitenciário. Ainda assim, insiste que nos últimos anos mudou de comportamento e que tem sido um recluso exemplar.

Arte como forma de reabilitação e mudança pessoal

O recluso atribui à arte o principal papel na sua transformação. Afirma que encontrou na pintura uma forma de canalizar impulsos e emoções que, no passado, se traduziam em comportamentos violentos.

Segundo o próprio, cada obra que produz é enviada para instituições de solidariedade, que posteriormente as vendem para angariar fundos. Bronson sustenta que a prática artística foi determinante para a sua reabilitação e considera que, sem ela, dificilmente teria conseguido alterar o seu comportamento.

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Apesar de continuar privado de liberdade, garante que mantém fé no futuro. Se vier a sair em liberdade, afirma que pretende dedicar-se a atividades positivas e afastar-se definitivamente do passado que o tornou uma das figuras mais polémicas do sistema prisional britânico.

A decisão mais recente sobre o seu pedido de liberdade condicional deverá ser apreciada pelas autoridades competentes, num processo que continua a suscitar debate público no Reino Unido.

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