Um pai britânico que optou por abandonar a vida convencional para criar um projecto habitacional off-grid junto ao rio Severn enfrenta agora a possibilidade de ver o seu sonho ruir. A construção, avaliada em cerca de 66 mil libras, foi erguida sem autorização de planeamento, colocando o proprietário em risco de perder a habitação e de ser obrigado a proceder à sua demolição.

Construção sem licença levanta problemas de planeamento urbano
Sam Griffiss, de 35 anos, antigo trabalhador da construção civil e pai de uma criança, vendeu a sua casa e investiu quase todas as suas poupanças num projecto pouco convencional em Bewdley, no condado de Worcestershire. O resultado foi uma habitação em forma de navio pirata, baptizada de The Daisy May, construída num terreno com cerca de 100 metros quadrados junto ao rio Severn.
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A estrutura principal teve origem num antigo barco de pesca, adquirido por apenas 500 libras, mas que acabou por dar lugar a uma residência totalmente adaptada à vida fora da rede pública. De acordo com Sam, cerca de 25 mil libras foram investidas na conversão do barco e na construção de uma cabine elevada sobre estacas, enquanto outros 11 mil libras foram gastos num sauna móvel a lenha. O custo total do projecto ascende a aproximadamente 66 mil libras.
Apesar de concluída em apenas dois meses, a construção foi realizada sem licenciamento urbanístico, o que levou o Wyre Forest District Council a abrir um processo de investigação.
Vida off-grid e pedido de autorização retroactiva
Sam vive actualmente de forma totalmente off-grid, recorrendo à recolha de água da chuva e à produção de energia através de painéis solares e geradores. O proprietário defende que a maioria das estruturas instaladas são móveis e que respeitam as normas aplicáveis a edifícios agrícolas, razão pela qual acredita que o projecto poderá vir a ser aprovado.
Segundo o próprio, a decisão de avançar sem autorização foi motivada por necessidade. Sem residência fixa, Sam precisava de um local onde pudesse viver legalmente e receber a filha. O pai admite que sabia que um pedido inicial de licenciamento poderia ser recusado, mas afirma ter agido de boa-fé e dentro das regras técnicas conhecidas.
Actualmente, aguarda a decisão sobre o pedido de planeamento retroactivo, que considera determinante. Caso seja recusado, poderá ser obrigado a remover ou demolir a totalidade da estrutura. Sam sublinha que precisa de uma morada oficial para tornar a habitação permanente e garantir estabilidade familiar.
Projecto com ambição comunitária e impacto local
Para além de residência, The Daisy May foi pensada como um espaço com utilidade pública. Sam ambiciona transformar o local num centro de bem-estar e actividades ao ar livre, denominado Connection Club. O projecto prevê a realização de actividades como tiro com arco, lançamento de machados, pesca e canoagem, promovendo o contacto com a natureza e o convívio comunitário.

O proprietário descreve a construção como um projecto criativo e esteticamente único, acreditando que pode trazer benefícios à comunidade local. Apesar de reconhecer o carácter pouco convencional da habitação, rejeita a ideia de estar a desafiar deliberadamente as autoridades e afirma estar disposto a defender o seu lar.
Investigação em curso e futuro incerto
Sam garante ter informado o município sobre a construção em Janeiro e apela para que um técnico de planeamento visite o local antes de ser tomada qualquer decisão final. Ainda assim, admite recear que o conselho local não aprove o projecto.
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Em resposta, um porta-voz do Wyre Forest District Council confirmou que o caso se encontra sob investigação activa, esclarecendo que, por se tratar de um processo em curso, não podem ser prestados comentários adicionais neste momento.
Enquanto aguarda uma decisão que poderá “fazê-lo ou destruí-lo”, Sam mantém-se firme na intenção de lutar pelo que considera não apenas a sua casa, mas também um legado para a filha.

