Canal do Cafu reforça agricultura e emprego no Cunene

A província do Cunene tem vindo a registar um aumento expressivo da produção agrícola, com especial destaque para o cultivo do tomate, resultado direto do funcionamento contínuo do Canal do Cafu. A infraestrutura, executada pelo Ministério da Energia e Águas, representa um dos maiores investimentos estruturantes da região e está a transformar de forma gradual, mas consistente, o panorama económico, social e ambiental do sul de Angola.

A província do Cunene
Canal do Cafu reforça agricultura e emprego no Cunene © Cedidas

Disponibilidade de água durante todo o ano fortalece agricultura e pecuária

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Energia e Águas, o Canal do Cafu garante água disponível 365 dias por ano, um fator determinante para o sucesso da atividade agrícola numa região historicamente marcada pela escassez hídrica. Esta disponibilidade permanente permite aos agricultores planear melhor as épocas de cultivo, aumentar a área de produção e diversificar as culturas, reduzindo a dependência exclusiva das chuvas.

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No setor da pecuária, a água assegurada pelo canal criou condições mais estáveis para o desenvolvimento do gado, diminuindo perdas associadas à seca e melhorando a produtividade. A existência de pontos de abeberamento ao longo do canal contribui para a sustentabilidade da atividade agropecuária, considerada essencial para a economia local e para a subsistência de milhares de famílias.

Paralelamente, o projeto teve impacto direto no abastecimento de água às populações. Situações anteriormente comuns, em que os habitantes percorriam longas distâncias em busca de água potável, tornaram-se cada vez menos frequentes. Este avanço traduziu-se numa melhoria significativa das condições de vida, da saúde pública e do bem-estar das comunidades beneficiadas.

Dinamização económica e criação de oportunidades de emprego

O funcionamento do Canal do Cafu trouxe consigo um efeito multiplicador na economia local. O aumento da produção agrícola impulsionou o surgimento de novos negócios, desde pequenas explorações agrícolas a iniciativas ligadas ao armazenamento, transporte e comercialização de produtos. Este dinamismo contribuiu para o crescimento do setor informal e formal, reforçando o rendimento das famílias.

No que diz respeito ao emprego, o projeto tem criado um número significativo de postos de trabalho, sobretudo na vertente agropecuária. Jovens da região encontram agora mais oportunidades de inserção no mercado de trabalho, quer através do emprego direto, quer por via do empreendedorismo ligado à agricultura e à pecuária. Este cenário ajuda a reduzir o êxodo rural e a promover o desenvolvimento local sustentável.

Infraestrutura estratégica no combate aos efeitos da seca

O Canal do Cafu foi oficialmente inaugurado a 4 de abril de 2022 pelo Presidente da República, João Lourenço, assumindo-se como uma das principais obras de referência no combate aos efeitos da seca no sul do país. A infraestrutura possui uma extensão de 165 quilómetros e integra 30 chimpacas, cada uma com capacidade para armazenar 30 milhões de metros cúbicos de água.

A província do Cunene
Infraestrutura estratégica no combate aos efeitos da seca © Cedidas

Os benefícios do canal estendem-se a centenas de milhares de pessoas e de cabeças de gado, abrangendo uma área aproximada de 15 mil hectares, o que reforça a sua importância estratégica para a segurança alimentar e hídrica da região.

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O projeto enquadra-se no Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Namibe e Huíla. No âmbito deste programa, o Canal do Cafu é visto como uma solução estrutural de longo prazo, destinada não apenas a mitigar os impactos imediatos da seca, mas também a promover um modelo de desenvolvimento mais resiliente, sustentável e inclusivo para as populações do sul de Angola.

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