Cabo Delgado regista mais 15 mortos em duas semanas devido a ataques extremistas

A província moçambicana de Cabo Delgado voltou a enfrentar uma escalada de violência nas últimas duas semanas, com pelo menos 15 mortos em consequência de ataques atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico. Os dados foram divulgados pela organização ACLED (Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), que monitoriza episódios de violência armada em várias regiões do mundo.

A província moçambicana de Cabo Delgado
Cabo Delgado regista mais 15 mortos em duas semanas devido a ataques extremistas © Lusa

Segundo o mais recente relatório da organização, entre 20 de abril e 3 de maio foram registados 15 incidentes violentos na região, sete dos quais relacionados diretamente com ações do Estado Islâmico Moçambique (EIM). Desde o início da insurgência armada, em outubro de 2017, o conflito já provocou 6.542 mortos e contabiliza 2.371 eventos violentos.

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Estado Islâmico intensifica ataques em Cabo Delgado

O relatório da ACLED indica que os combatentes extremistas entraram em confronto com forças moçambicanas e ruandesas nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, no norte de Cabo Delgado. Durante os ataques, terão sido mortos pelo menos sete militares moçambicanos, além da apreensão de armamento pelos insurgentes.

Na região sul da província, cerca de uma centena de combatentes ocupou áreas de mineração artesanal de ouro, numa ofensiva direcionada à obtenção de recursos financeiros e controlo territorial. Durante a incursão, os insurgentes repeliram forças governamentais antes de avançarem para outras localidades, onde incendiaram uma igreja católica e provocaram o deslocamento de dezenas de famílias.

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A ACLED alerta que o grupo permanece ativo na região, representando uma ameaça contínua para as populações civis e para as atividades mineiras artesanais e comerciais.

Destruição de igreja e ataques provocam deslocados

Os ataques mais recentes atingiram o distrito de Ancuabe, onde elementos associados ao Estado Islâmico reivindicaram a destruição de uma igreja, dezenas de estabelecimentos comerciais e cerca de 220 habitações. Os extremistas alegaram ainda ter atacado um posto militar na aldeia de Nacoja.

Na mesma zona, um grupo armado atacou recentemente a missão de São Luís de Monfort, em Minheuene, destruindo completamente as infraestruturas religiosas e educativas existentes no local. A missão, construída em 1946, era considerada um símbolo histórico da presença católica em Cabo Delgado.

O bispo de Pemba, António Juliasse, relatou que os insurgentes incendiaram a escola, a residência dos padres, a secretaria paroquial e outras estruturas ligadas à paróquia. O responsável religioso afirmou ainda que, desde o início do conflito, mais de 300 católicos foram mortos, maioritariamente por decapitação, e mais de 117 instalações da Igreja foram destruídas.

Violência em Cabo Delgado continua a ameaçar estabilidade da região

A violência armada em Cabo Delgado mantém-se como um dos principais desafios de segurança em Moçambique. Rica em recursos naturais, especialmente gás natural, a província é alvo de ataques extremistas desde 5 de outubro de 2017, quando ocorreu a primeira ofensiva armada em Mocímboa da Praia.

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Nos últimos dias, os ataques obrigaram ainda à retirada de emergência de trabalhadores de uma empresa mineira localizada próximo da aldeia de Nacoja, aumentando a preocupação com a segurança das operações económicas na região.

Apesar da presença de forças moçambicanas e contingentes militares do Ruanda, os grupos extremistas continuam a demonstrar capacidade de mobilização e ataque, agravando a crise humanitária e o deslocamento de populações em Cabo Delgado.

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