Uma cidadã brasileira foi condenada a três anos de prisão no Reino Unido por utilizar uma empresa de limpezas como fachada para praticar tráfico humano, transportando compatriotas para o país e sujeitando-os a condições de escravatura moderna.

Ana Lucia Martins, de 50 anos, aliciava as vítimas com a promessa de um salário de 400 libras por semana a trabalhar na sua empresa, sediada em Luton. Segundo as autoridades, “vendia um sonho” de prosperidade no Reino Unido, garantindo ainda que trataria dos vistos necessários.
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Após a chegada ao país, os trabalhadores eram forçados a cumprir turnos de 12 horas diárias, sem pausas para alimentação ou água. Em vez do salário prometido, eram informados de que o alojamento constituía a única forma de pagamento. Para evitar suspeitas, a arguida mudava os trabalhadores de alojamento de 15 em 15 dias, utilizando arrendamentos de curta duração.
Investigação prolongada e condenação no Old Bailey
O esquema de tráfico humano foi desmantelado após uma investigação de quatro anos conduzida por agentes de imigração britânicos. O caso foi julgado no Old Bailey, em Londres, onde a arguida se declarou culpada de auxílio à imigração ilegal para um Estado-membro, no segundo dia do julgamento, em dezembro.

Durante o processo, uma das vítimas relatou ao tribunal que lhe foi prometido um visto de trabalho que nunca chegou a ser tratado. Acrescentou ainda que recebeu pagamentos irrisórios e que a arguida assumiu controlo total sobre a sua vida. Nos raros casos em que havia remuneração, Martins controlava detalhadamente os gastos dos trabalhadores, monitorizando valores e datas. Quando alguns manifestaram intenção de regressar ao Brasil, terão sido alvo de ameaças, incluindo referências ao paradeiro das suas famílias.
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De acordo com o Home Office, a mulher será automaticamente referenciada para eventual deportação após o cumprimento da pena.

O ministro da Segurança das Fronteiras e do Asilo, Alex Norris, afirmou que o caso é um exemplo claro das falsas promessas feitas por redes de tráfico humano. Segundo o governante, as autoridades britânicas estão a reforçar medidas de controlo fronteiriço e a intensificar ações de fiscalização para combater a imigração ilegal e responsabilizar os envolvidos.

