Joseph Molloy, 53 anos, ex-executivo do HSBC, foi proibido de utilizar a rede ferroviária da Southeastern após ter sido apanhado a evitar o pagamento de quase £6.000 em bilhetes de comboio. Segundo o tribunal, Molloy aplicou uma técnica conhecida como “doughnutting”, em que adquiria apenas bilhetes cobrindo o início e o fim da viagem, ignorando os trajetos intermédios.

O método, considerado sofisticado pelos procuradores, cria um “buraco” no percurso pelo qual o passageiro não paga, aproveitando as barreiras automáticas das estações. Entre outubro de 2023 e setembro de 2024, Molloy utilizou esta técnica pelo menos 740 vezes, resultando numa economia de £5.911. O esquema incluía ainda a utilização de nomes e moradas falsas para obter dois smartcards carregados com bilhetes e a aplicação de descontos do Jobcentre Plus, que reduziam em 50% o valor das tarifas.
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O procurador Jack Furness descreveu o caso como “sofisticado na sua preparação e execução”, destacando o planeamento meticuloso do arguido e a repetição sistemática do esquema durante quase um ano.
Sentença: prisão suspensa, trabalho comunitário e proibição de usar comboios
Molloy admitiu fraude por falsa representação perante o Inner London Crown Court. Durante a audiência, a defesa argumentou que o arguido estava sob forte stress devido a problemas de saúde e à morte da mãe, numa fase pessoal difícil. “Não consegue explicar por que o fez”, declarou o advogado Will Hanson, acrescentando que se tratou de uma fraude discreta, sem prejudicar indivíduos específicos, sendo a vítima uma grande empresa privada.
O juiz Recorder Alexander Stein salientou que Molloy era “um homem com alguns meios financeiros” e que poderia facilmente ter pago os bilhetes, qualificando o ato como uma “ofensa persistente e grave”. Apesar disso, a pena de prisão de 10 meses foi suspensa por 18 meses, tendo sido imposto ao arguido o cumprimento de 80 horas de trabalho aprovado.
Adicionalmente, Molloy foi proibido de utilizar os serviços da Southeastern durante um ano e condenado a pagar £5.000 em compensação à operadora. O caso sublinha o impacto económico das fraudes em transportes, estimadas em cerca de £400 milhões anuais para as empresas ferroviárias do Reino Unido.
Impacto e contexto da fraude em transportes
Fraudes como a praticada por Molloy têm um efeito significativo nas finanças das operadoras ferroviárias. O esquema de “doughnutting” explora brechas no sistema de bilhética, e apesar de discretas, as ações repetitivas de um passageiro podem resultar em perdas consideráveis. Este caso evidencia a vigilância crescente das operadoras e a eficácia das investigações em identificar padrões suspeitos de comportamento.
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O incidente também levanta questões sobre ética e responsabilidade individual, especialmente entre pessoas com meios financeiros suficientes para cumprir legalmente as suas obrigações, reforçando a mensagem de que o incumprimento deliberado da lei não é tolerado, independentemente da posição social ou profissional do arguido.

