Ativista filma professor transgénero

O ativista de extrema-direita Tommy Robinson seguiu até casa e filmou um professor transgénero depois de este ter solicitado ser tratado com o título neutro “Mx”. O caso ocorreu no sul do condado de Staffordshire, no Reino Unido, e está a ser acompanhado pelas autoridades policiais.

O ativista de extrema-direita Tommy Robinson
Ativista filma professor transgénero © Facebook

Vídeo divulgado junto à escola e alegações de Robinson

Tommy Robinson, conhecido pelas suas posições anti-imigração, divulgou um vídeo com cerca de 12 minutos, gravado junto à escola antes do início das aulas. Mais tarde, deslocou-se até à residência do professor para o confrontar diretamente, continuando a filmar sem consentimento.

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No vídeo, Robinson afirmou ter contratado um detetive privado para monitorizar os movimentos do docente, de forma a saber quando este sairia de casa para trabalhar. Alegou ainda que alunos estariam a ser punidos por utilizarem pronomes incorretos, sendo retirados das aulas para receber formação sobre o uso de pronomes.

O título “Mx”, pronunciado “mix”, é utilizado como alternativa neutra a “Mr” ou “Ms”, sendo comum entre pessoas transgénero ou não-binárias, não se tratando de um conjunto de pronomes.

Escola rejeita acusações e fala em informações falsas

A escola visada rejeitou categoricamente as acusações, classificando-as como “totalmente imprecisas”. Em comunicado, afirmou que os cenários descritos online “não refletem os acontecimentos reais” na instituição e negou que alunos tenham sido retirados das aulas para qualquer tipo de formação disciplinar relacionada com pronomes.

As imagens divulgadas mostram Robinson a interpelar repetidamente o professor à porta da sua casa, questionando se considera “correto” que os alunos utilizem o título “Mx”. O docente recusou-se sempre a responder, limitando-se a dizer “sem comentários” e tentando sair para o trabalho. O ativista seguiu-o pela rua, continuando a filmar, até que o professor regressou à residência e fechou a porta.

Reação política e envolvimento das autoridades

Após a divulgação do vídeo, o deputado local e ex-secretário da Educação do Partido Conservador, Gavin Williamson, publicou nas redes sociais uma carta enviada à direção da escola, manifestando “preocupação” com a situação. O parlamentar reiterou as alegações de que alunos teriam sido retirados das aulas para aprender sobre pronomes, afirmando ter recebido várias queixas de eleitores.

Williamson defendeu que a prioridade das escolas deve ser o ensino académico, criticando o que descreveu como exercícios de “diversidade simbólica”.

Escola e entidade gestora garantem apoio e segurança

Em resposta, a direção da escola informou os encarregados de educação de que está a trabalhar em articulação com a polícia e as autoridades competentes para garantir a segurança e a privacidade de alunos e funcionários. O estabelecimento apelou ainda para que o público não visualize nem partilhe os conteúdos divulgados online.

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A Windsor Academy Trust, entidade responsável pela escola, reforçou que as alegações sobre medidas disciplinares são falsas e sublinhou que todas as decisões seguem a política interna de comportamento. A instituição afirmou manter uma postura firme contra qualquer forma de discriminação e garantiu que o ambiente escolar continua a ser calmo, inclusivo e respeitador.

O caso reacendeu o debate sobre identidade de género, privacidade e assédio, levantando preocupações quanto à exposição de profissionais da educação e ao impacto de campanhas de intimidação no espaço escolar.

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